Da semente ao prato: 1° mutirão de colheita do milho guarani roxo. Ass. C.Marighella (RS)

por Tinkamo, via Teia dos Povos

No dia 03 de junho de 2021 no Assentamento C.Marighella em Santa Maria RS, aconteceu o primeiro encontro do projeto “Da Semente ao Prato”. Elaborado pelo Guandu Grupo Agroecológico, a proposta está articulada através da Teia dos Povos em Luta no RS e da Campanha de Luta por Vida Digna, tendo como objetivo estreitar as relações entre os povos do campo e da cidade, estabelecendo um processo de troca de conhecimentos e práticas em agroecologia visando o acesso a terra, alimentação saudável e buscando a construção e luta por uma vida digna.

A atividade reuniu lutadoras e lutadores da Ocupação Vila Resistência, voluntários e apoiadores. Iniciamos com uma roda de conversa sobre a importância de construirmos uma aliança popular, buscando a soberania alimentar e energética em nossos territórios, e também sobre a relação direta entre alimento e ancestralidade. Fizemos uma visitação no Território e nas áreas de lavoura e colhemos o milho cateto Guarani roxo, que será mandado para os guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul. Foi feita uma apresentação do histórico de conquista do assentamento e sobre nosso processo de resgate e conservação das sementes crioulas.

Houve também troca de sementes e saberes, focando nos temas da agroecologia e da alimentação saudável, complementados por um almoço agroecológico com alimentos produzidos pelo Assentamento, pelo Mutirão Grupo de Trabalhadores da Terra, retomada Xokleng Konglui e pela Comuna Pachamama.

Ao fim do dia colhemos mandioca, batata doce e bergamotas junto às famílias para levarem para suas mesas em suas casas.

O projeto tem a intenção abrir espaço em nosso território para pessoas da periferia de Santa Maria e demais interessadas/os em agroecologia que necessitam ou queiram produzir alimento e renda de forma digna em parceria com comunidades organizadas, grupos e coletivos com inserção social para possibilitar o fortalecimento de hortas e cozinhas comunitárias. Ao priorizarmos mulheres, LGBTQIA+ e pessoas em vulnerabilidade social, visamos a criação de uma rede de apoio para que essas pessoas, que tem seus direitos negados, possam decidir a produção de seus alimentos e de suas vidas desde a semente até o modo de preparo, pois entendemos a comida não só como alimento para nutrir o corpo e a alma, mas também como ferramenta de emancipação dos povos através dos tempos.

Agroecologia, autonomia e vida digna para os povos!

Imagens: Teia dos Povos/Divulgação.

Matéria Original: https://teiadospovos.org/da-semente-ao-prato-1-mutirao-de-colheita-do-milho-guarani-roxo-ass-c-marighella-rs/