Abelhas também têm personalidade

À simples vista as abelhas e os seres humanos não têm muito em comum, mas um estudo publicado nesta quinta-feira (8) na revista Science indica que, tal qual o Homo sapiens, esses insetos também têm personalidade.

Segundo a pesquisa, há abelhas exploradoras e de comportamento mais ousado, enquanto outras optam por atividades mais cautelosas e uma vida “caseira”.

Silvia Rodríguez Zás, uma pesquisadora graduada da Faculdade de Agronomia da Universidade do Uruguai e que trabalha agora na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, explica a personalidade das abelhas.

– As abelhas têm distintas funções na colônia.

– Algumas ficam dentro da colmeia e cuidam dos filhotes, enquanto outras saem para conseguir comida.

Ela é integrante da equipe liderada por Zhengzheng Liang, do Programa de Neurociência da Universidade de Illinois.

– As exploradoras são as que buscam novas fontes de alimentos, e as outras, menos numerosas, procuram outros lugares para o início de colmeias novas.

O estudo das abelhas e suas possíveis implicações para entender o comportamento de mamíferos, e até o dos humanos, é interessante porque esses são insetos sociais, que vivem em comunidades altamente organizadas.

Durante os experimentos, os pesquisadores instalaram as fontes de alimento das abelhas em uma grande área protegida e observaram quais saíam para explorar em busca por mais comida.

Os cientistas depois compararam a expressão genética cerebral das abelhas aventureiras com a daquelas que ficaram próximas a seus ninhos, como explica Silvia.

– Ficamos focados em determinar os genes e a base molecular que motivam estas abelhas a um comportamento explorador, algo que nos humanos é conhecido como o comportamento em busca de novidade.

A partir da observação das abelhas exploradoras, os cientistas descobriram que as mesmas que buscaram o lugar para a nova colmeia e levaram para lá um grupo de abelhas da colônia antiga são as que passam a procurar comida.

– Levam em seus genes essa “inquietação”. Primeiro, saem em busca de um lugar; depois, de comida.

Entre todas as abelhas que procuram alimentos, 25% se dedicam a buscar novas fontes, são as exploradoras de comida “e as que quando voltam à colmeia movimentam o ‘rabo’ para comunicar às coletoras onde está a comida”.

– Há uns mil genes, 15% do total, que se expressam mais nas abelhas exploradoras que nas não exploradoras. São genes com função associada à comunicação, e essas diferenças se expressam na dopamina, na octopamina, no glutamato e no ácido gama-aminobutírico. Nos seres humanos, essas moléculas se relacionam com a sensação de satisfação e também com a dependência. Os seres humanos que têm tendência a buscar atividades inovadoras também têm um maior risco de desenvolver a dependência.

Em outras fases do estudo, os cientistas acrescentaram doses maiores de octopamina e glutamato na dieta das abelhas exploradoras, “e o resultado foi que exploravam ainda mais”.

– Por outro lado, a adição de agentes bloqueadores em sua dieta lhes inibiu a vontade de explorar, e as abelhas normais, as que não tendem a explorar, exploraram ainda menos.

Os resultados da pesquisa, assinalou o artigo, “demonstram paralelos interessantes entre o comportamento em busca de novidades das abelhas melíferas e o dos humanos”.

Fonte: R7

Pesquisa mostra que entre esses insetos, há os mais ousados e os de vida mais "caseira"