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Estudo da UFMG contradiz Bolsonaro sobre exploração de potássio em terras indígenas para fertilizantes

O presidente disse que a saída está sob as aldeias da bacia do Amazonas. Já pesquisadores afirmam que só 11% das jazidas da região estão nestes territórios; importação de fertilizantes da Ucrânia e Rússia foi prejudicada pela guerra entre países.

07/03/2022 16h53  Atualizado há 3 dias

País importa 85% dos fertilizantes que utiliza e Rússia responde por 23% das importações. Potássio é o que mais preocupa e 'certamente vai haver desabastecimento mundial' desse nutriente, dizem analistas — Foto: Getty Images/BBC
preocupa e ‘certamente vai haver desabastecimento mundial’ desse nutriente, dizem analistas — Foto: Getty Images/BBC

Por Thais Pimentel, via G1 Minas

Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que, ao contrário do divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), as jazidas de potássio – elemento utilizado na fabricação de fertilizantes – localizadas em terras indígenas, representam 11% do total da Bacia da Amazônia. A pesquisa foi baseada em dados do próprio governo, como Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Serviço Geológico Brasileiro (CPRM).

Nesta segunda-feira (7), o presidente defendeu a aprovação do projeto de lei que regulamenta mineração em terras indígenas, enviado há dois anos pelo governo ao Congresso Nacional.

Segundo Bolsonaro, a aprovação do projeto poderá liberar a exploração de potássio, usado em fertilizantes no agronegócio, na região da foz do Rio Madeira. Como, o Brasil importa fertilizantes da Rússia, há o risco de falta do produto e de alta do preço dos combustíveis. O país europeu está em guerra com a vizinha Ucrânia

“Com essa crise internacional, dada a guerra, o Congresso sinalizou em votar esse projeto em regime de urgência. Eu espero que seja aprovado na Câmara agora em março para que, daqui a dois ou três anos, possamos dizer que não somos mais dependentes de importação de potássio para o nosso agronegócio”, disse Bolsonaro.

Porém, o estudo da UFMG mostra que não é bem assim.

“Se a gente considerar toda a área provável de haver reservas de potássio, que engloba possíveis depósitos e depósitos prospectáveis pelo CPRM e pela PETROMISA, apenas 11% dos 13,7 milhões de hectares são de territórios indígenas”, disse o pesquisador Bruno Manzolli.

Estudo aponta outras reservas de potássio no país, além da Bacia do Amazonas — Foto: UFMG/Divulgação
Estudo aponta outras reservas de potássio no país, além da Bacia do Amazonas — Foto: UFMG/Divulgação

A pesquisa mostrou também que as reservas de potássio que existem no Brasil podem sustentar o país até 2100. Se levar em conta as jazidas fora da Amazônia Legal, a autonomia chega a 2089.

O estudo mostra que Minas Gerais, Sergipe e São Paulo têm juntos reservas na ordem de 894,8 toneladas. Estima-se que na região de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara, este número não passa dos 255 milhões de toneladas.

“Os dados mostram que há reservas em outros locais do país, além das terras indígenas. Não seria a única saída, como alegou o presidente”, disse Manzolli.

Nos depósitos Fazendinha, Arari e Autazes, que foram o foco do estudo, e que apresentam reservas prospectáveis, dos 83 mil hectares, apenas 9% é localizado em terras indígenas.

O município de Autazes, no interior do Amazonas, foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura por ter potencial para ajudar a suprir a necessidade do Brasil em produção de fertilizantes. A cidade fará parte de um plano nacional que tem a intenção de tornar o país menos dependente do produto produzido em outros países.

De acordo com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, Autazes possui uma mega jazida de potássio, principal insumo para a produção de fertilizantes. Para o Governo Federal, a exploração seria suficiente para suprir 25% de toda a necessidade brasileira.

Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2022/03/07/estudo-da-ufmg-contradiz-bolsonaro-sobre-exploracao-de-potassio-em-terras-indigenas-para-fertilizantes.ghtml