Primeiro projeto de reflorestamento a receber RCEs temporárias é brasileiro

Um projeto brasileiro de reflorestamento foi o primeiro no mundo a receber Reduções Certificadas de Emissão temporárias (tRCEs) sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto.

O Comitê Executivo do MDL emitiu mais de quatro milhões de tRCEs pelo plantio de árvores em 11,6 mil hectares em Minas Gerais, visando o fornecimento de carvão vegetal para uma indústria de aço e ferro gusa.

Segundo informações do Banco Mundial, a renda proveniente dos créditos de carbono possibilitará ao Grupo Plantar, proprietário do projeto, o uso de terras degradadas para o plantio, que absorverá dióxido de carbono durante o crescimento das árvores. O projeto supõe que um dos resultados seja a preservação de florestas nativas já que evitará o uso de carvão vegetal destes locais.

O Prototype Carbon Fund e o Biocarbon Fund, ambos do Banco Mundial, apoiam o projeto desde 2001, fazendo do Plantar um dos primeiros a receber recursos através dos créditos de carbono.

Projetos de reflorestamento e aflorestamento sob o MDL tem enfrentado diversas dificuldades, pois a sua implementação exige muitos recursos e tempo, além de que os créditos gerados são temporários (perdem a validade ao final do período de compromisso de Quioto em que foi emitido) e as regras do mecanismo exigem verificação a cada cinco anos para garantir que as árvores ainda estejam em pé, pondera o Banco Mundial.

Em março, um relatório do Banco Mundial detalhou os sete anos de experiências do BioCarbon Fund e destacou os desafios e oportunidades no financiamento de projetos florestais sob o MDL.

Autor: Fernanda B. Muller   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Banco Mundial

*Créditos da imagem: Grupo Plantar

*Créditos da imagem: Grupo Plantar