Pesquisadores lançam ferramenta que prevê desmatamento amazônico um ano antes de ocorrer

Pesquisadores desenvolveram uma metodologia para prever precisamente onde o desmatamento ocorrerá na Amazônia com até um ano de antecedência, possibilitando que agências e funcionários da lei tomem ações preventivas antes que árvores sejam realmente derrubadas, falou um especialista em silvicultura ao mongabay.com nos bastidores do Fórum Mundial Skoll para Empreendedorismo Social.

O sistema, que é baseado em padrões históricos de desmatamento na Amazônia brasileira, na infraestrutura existente e rotas ilegais, em fatores socioeconômicos e condições biofísicas, foi desenvolvido pelo Imazon, grupo que cria ferramentas para rastrear e analisar o desmatamento e faz recomendações políticas para reduzir o corte de florestas.

“Ele também é usado para antecipar onde o corte e a degradação florestal podem provavelmente ocorrer no próximo ano de desmatamento, que termina em julho”, disse Carlos Souza do Imazon, que ganhou o Prêmio Skoll para Empreendedorismo Social em 2010. “Estamos usando isso em conjunto com nosso sistema de monitoramento de desmatamento em tempo quase real.”

O sistema de detecção de desmatamento do Imazon – que é conhecido como SAD – fornece atualizações mensais de onde o desmatamento está ocorrendo. Ele também oferece uma fonte de monitoramento e reporte que é independente do sistema do governo brasileiro, fomentando a transparência.

Os dados lançados pelo Imazon neste mês mostraram que o desmatamento na Amazônia brasileira diminuiu em relação ao mesmo período do ano passado, quando os níveis de desmatamento foram os menores desde que a manutenção dos registros anuais começou, no final dos anos 1980. Uma combinação de políticas governamentais e tendências macroeconômicas contribuiu para um declínio de 77% no desmatamento da Amazônia brasileira desde 2004.

Souza afirmou que a ferramenta de previsão de desmatamento poderia ser útil para priorizar áreas de intervenções sob um programa para a redução de emissões do desmatamento e degradação (REDD+).

“Fundos poderiam ir para intervenções de conservação em áreas onde o desmatamento provavelmente ocorrerá, prevenindo assim essas emissões”, declarou ele.

A queda no desmatamento do Brasil desde 2004 resultou na maior redução isolada de curto prazo nas emissões de gases do efeito estufa (mais de 600 milhões de toneladas de dióxido de carbono) da história moderna.

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original no Mongabay (inglês)

Fonte: Mongabay

Disponível em: Instituto Carbono Brasil