Pegada Ecológica

Pegada Ecológica

Daniele de Cássia Gondek, Karoline Cunha Blanco, Patricia Patriota, Virgínia Cunha Gomes, Rosângela Barbosa da Silva

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PEGADA ECOLÓGICA E SEUS PRINCÍPIOS

A Pegada Ecológica pode ser fundamentada em três princípios: Sustentabilidade, equidade, e overshoot.

Principio da Sustentabilidade: Segundo a WWF Brasil, (2008), a sustentabilidade visa a satisfazer as necessidades humanas no presente e futuro, sem destruir nosso único meio: a capacidade da natureza em regenerar e absorver os resíduos, ou seja, a sustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material, sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro. Seguindo estes parâmetros, a humanidade pode garantir o desenvolvimento sustentável.

Para o avanço em direção à sustentabilidade é preciso que a carga humana esteja em consonância com a capacidade de suporte do ecossistema. Em outras palavras, é preciso que se adquiram os níveis de consumo, estilos de vida, utilização dos recursos e assimilação dos resíduos com as condições ecológicas, a fim de que não se consumam os produtos e os utilize, mais rapidamente do que possam ser regenerados e ou absorvidos.

A sustentabilidade também está intimamente ligada ao princípio da equidade, o que denota uma relação de interdependência entre os dois, pois não há meios de haver sustentabilidade sem o princípio da igualdade concernente ao uso que se faz do meio ambiente por todos no cenário mundial.

Principio da Equidade: A Pegada Ecológica é um instrumento para direcionar essa questão da sustentabilidade, em três ângulos diferentes:

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a. Equidade entre gerações ao longo do tempo: a pegada mensura a extensão com que a humanidade usa os recursos naturais em relação à capacidade de regeneração da natureza;

b. Equidade nacional e internacional em tempos atuais, dentro e entre nações: a pegada mostra quem consome quanto;

c. Equidade entre espécies: a pegada mostra o quanto a humanidade domina a biosfera à custa de outras espécies.

Chegar à equidade apenas por meio do crescimento econômico quantitativo é impossível, dado que a biosfera é limitada. Por sua vez, a pegada indica que já estamos excedendo esse limite e que uma extensão futura das atividades humanas liquidará o capital natural o qual hoje dependemos e de que as futuras gerações dependerão.

Com a aceleração do tempo capitalista, há o descompasso entre o tempo de regeneração e formação da biosfera e o tempo de consumo da transformação em produtos não recicláveis ou em alta entropia por parte do sistema econômico. Assim os recursos marítimos e florestais, a terra para agricultura, o ar puro e a água, estão se transformado em recursos não renováveis, notando-se a contínua redução dos seus estoques, até um possível esgotamento.

A destruição dos recursos está crescendo e é diretamente ligada aos grupos afluentes que os consomem excessivamente. Conforme Wackernagel e Rees(1996), de acordo com a estatística das Nações Unidas, cerca de 1.1 bilhão de pessoas vivem em estrema riqueza e consome por volta de ¾ dos recursos do mundo, isto é, precisa mais do que a capacidade que o Planeta pode suporta.

A Pegada Ecológica, por sua vez, documenta como esses grupos usam a maioria desses recursos e sinaliza uma dimensão ética sobre o dilema da sustentabilidade. As escolhas individuais são necessárias para se reduzir a pegada da humanidade, mas não são suficientes. É preciso salientar a

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necessidade de se fazer reais mudanças nos padrões de consumo e nos estilos de vida impostos por modelo de desenvolvimento econômico dos países desenvolvidos, que se fundamenta no lucro incessante.

Nesse sentido, a Pegada Ecológica reforça as relações da sustentabilidade com a equidade. Torna explícitos os impactos ecológicos das atividades antrópicas e ajuda nas tomadas de decisões de modo a beneficiar à sociedade e o meio ambiente.

Overshoot: Durante a maior parte da história, a humanidade foi capaz de viver às custas dos juros da natureza – consumindo recursos e produzindo dióxido de carbono a uma taxa menor do que o planeta era capaz de regenerar e reabsorver a cada ano. Mas há cerca de três décadas, cruzamos um limiar crítico e a taxa de demanda humana por serviços ecológicos passou a superar a taxa em que a natureza podia fornecê-los. Esta lacuna entre oferta e demanda – conhecida como overshoot ecológico – tem crescido a cada ano. Agora é preciso um ano e seis meses para regenerar os recursos que a humanidade requer em um ano. A mudança climática é talvez o sinal mais importante do nosso gasto ecológico excessivo. Nossa pegada de carbono (conforme calculada pela Global Footprint Network, a quantidade de terra e área marítima que seria necessária para absorver todo o CO2 que emitimos) é a maior parcela da Pegada Ecológica humana, e é de longe a que cresce mais rápido (Dados: Global Footprint Network).

São desses serviços ou benefícios que dependemos, e se consumirmos além dos seus limites, estaremos caminhando para o overshoot, pois a natureza não poderá mais se regenerar. A escassez dos recursos renováveis pode ser mais séria do que a dos recursos não renováveis, porque certamente não se pode viver sem água, ou sem solos férteis para podermos cultivar nosso alimento. A partir de certo ponto, o crescimento material só pode ser adquirido às custas da depleção do capital natural e da diminuição dos serviços para a manutenção da vida.

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A bioeconomia e a economia ecológica propuseram a relação entre o processo econômico e a degradação da natureza, o imperativo de internalizar os custos ecológicos e a necessidade de agregar contrapesos distributivos aos mecanismos do mercado. Em 1972, um estudo do Clube de Roma apontou, pela primeira vez, “Os limites do crescimento”. Dali surgiram as propostas do “crescimento zero” de uma “economia de estado estacionária”. Quatro décadas depois, a destruição das florestas, a degradação ambiental e a poluição aumentaram de forma vertiginosa, gerando o aquecimento do planeta pelas emissões de gases causadores do efeito estufa e pelas inelutáveis leis da termodinâmica, que desencadearam a morte entrópica do planeta. Os antídotos produzidos pelo pensamento crítico e a inventiva tecnológica resultaram ser pouco digeríveis pelo sistema econômico (Dados: BIOTERRA, 2010).

 

GONDEK, Daniele de Cássia; BLANCO, Karoline Cunha; PATRIOTA, Patrícia; GOMES, Virgínia Cunha; SILVA, Rosângela Barbosa da. Pegada Ecologógica. Centro Universitário de Brasília – Uniceub. Brasília, Maio de 2011

 

Para ler o texto na íntegra: Clique aqui – Pegada Ecológica

 

Foto: Patricia Patriota
Foto: Patricia Patriota