Levamos Santarém conosco

A bordo do Rainbow Warrior, partimos hoje de Santarém (PA) descendo o rio Amazonas em direção a Macapá. Foram cinco dias intensos na cidade, onde começamos a falar da campanha do Desmatamento Zero com comunidades da Amazônia – pequenos agricultores e ribeirinhos, aqueles que moram na floresta e têm todo o interesse do mundo em preservá-la.

Nesse tempo, também dividimos espaço no porto com cargueiros de soja e de madeira. Apesar de o governo falar que o desmatamento está controlado, não é bem isso que vemos por aqui. No mesmo dia que deixamos um recado numa madeireira dentro de um assentamento, tábuas a perder a conta foram colocadas no navio logo ao lado do nosso.

Assista ao vídeo aqui.

Certamente esse carregamento tem toda a documentação necessária, dizendo que ele foi retirado da floresta com autorização. E talvez tenha sido. Mas vamos lembrar de alguns fatos: no Pará, entre 2009 e 2010, 65% da área explorada (79 mil ha) não tinha permissão da Secretaria de Meio Ambiente, segundo dados do Imazon. Também é praxe “esquentar” madeira ilegal em serrarias, misturando-a à madeira com origem legal.

Em um sobrevoo que fizemos também nesses dias, pudemos verificar alguns novos desmatamentos e caminhões carregados de madeira zanzando por picadas no meio da floresta.

Não é preciso ser gênio para perceber que ainda hoje a derrubada de árvores acontece num ritmo maior do que o permitido – e maior do que o próprio governo quer admitir. De longe, do satélite, o ritmo do corte raso da floresta caiu nos últimos anos. De perto, do chão, o problema está distante de ser controlado.

Você pode nos ajudar a salvar as florestas. Entre na campanha pelo desmatamento zero no Brasil e faça o governo olhar de frente para a questão.

Autor: Cristina Amorim – a bordo do Rainbow Warrior

Sobrevoo sobre área de desmatamento da Amazônia no Estado do Pará. (©Greenpeace/Karla Gachet)