IMOBILIDADE URBANA – Problemas se repetem por todo o país

Problemas como superlotação, trânsito, longas esperas pelos ônibus, falta de integração entre os meios de transporte público e alto valor das tarifas não são exclusivos de São Paulo. Em todo o país, a população sofre com um sistema de transporte coletivo deficiente, segundo diagnóstico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com a pesquisa sobre a satisfação dos brasileiros com o transporte público realizada pelo órgão, cerca de 55% dos usuários estão insatisfeitos e consideram o serviço “ruim”, “muito ruim” ou “regular”.

Victor Khaled, do Movimento Passe Livre de Florianópolis (MPL Floripa), conta que na capital catarinense pouco tem sido feito em prol do transporte público. “Em contrapartida, houve grande soma de investimentos públicos na reprodução do modelo do transporte individual”, afirma.

Ele relata como principais problemas do transporte público de sua cidade a superlotação, a falta de integração entre as linhas de ônibus, os atrasos recorrentes nos trajetos e o alto custo da tarifa. “Na verdade, a gente tem um transporte coletivo na cidade que é bastante deficiente”, resume.

As mesmas queixas são feitas por Rodrigo Araújo, morador de Goiânia (GO). Ele descreve o transporte público de sua cidade como “ultrapassado”. “Os ônibus são superlotados, as linhas não atendem a demanda da população e constantemente acontecem manifestações espontâneas da população por conta da precariedade do sistema”, relata.

Falta de priorização

Segundo Lucas Monteiro, do Movimento Passe Livre de São Paulo (MPLSP), este tipo de situação vista em todo o país é resultado do modelo de urbanização empregado no Brasil, “que prioriza o transporte individual em detrimento do transporte coletivo”.

Para o consultor de tráfego Horácio Augusto Figueira, é necessário que esse modelo seja mudado para termos cidades com qualidade de vida e, para isso, é necessário que o poder público e a sociedade se conscientizem da necessidade de se priorizar o transporte coletivo. “A gente tem que informar a sociedade que o sonho do automóvel foi bom há 30 anos”, pondera.

Figueira explica que não adianta os governos proporem grandes obras viárias como solução para os problemas de deslocamento da população, porque não vai resolver. “Quanto mais espaço se ofertar para os carros, mais eles o ocuparão”, alerta. Segundo ele, a solução para a mobilidade urbana dos grandes centros é a priorização do transporte coletivo, que atende a maior parte da população. A pesquisa do Ipea aponta que 66,3% dos habitantes das regiões metropolitanas e 65% dos moradores das capitais utilizam o transporte público.

Transporte de massa

Aílton Brasiliense, da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), defende, ainda, a priorização do transporte de grande capacidade, como o metrô, para cidades com alto índice populacional, como São Paulo. “Se nós tivéssemos aprendido a lição nos primeiros 50 anos do século 20, a gente teria entendido que deveríamos adensar em torno do sistema de grande capacidade”, afirma.

Contudo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas sete cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes possuem sistema de metrô em operação. São elas: Belo Horizonte (BH), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Teresina (PI). Estão em fase final de construção ainda os metrôs de Fortaleza (CE) e Salvador (BA).

“Salvador já deveria ter um metrô. Qualquer cidade com mais de 1 milhão de habitantes precisaria ter um metrô. Salvador tem 2,6 milhões e tem um metrô que está sendo construído há 12 anos sem nenhum trecho entregue ainda”, protesta Manoel Nascimento (Manolo), do Centro de Estudos e Ação Social (Ceas) de Salvador.

O primeiro trecho do metrô da capital baiana, com 6 km, começou a ser testado no dia 20 de dezembro, mas não há previsão para que entre efetivamente em operação. Ao todo, a primeira linha do metrô soteropolitano terá 12 km de extensão, que deverão custar, ao final, mais de R$ 1,2 bilhão.

Há também a previsão de construção de uma segunda linha em Salvador com vistas à Copa do Mundo. A presidenta Dilma Rousseff anunciou em novembro a destinação de R$ 1,6 bilhão por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Urbana das Grandes Cidades para a construção de 22 km de metrô na cidade.

Na avaliação de Manolo, a proposta de construção de uma linha de metrô a partir das necessidades para a Copa do Mundo não vai significar melhora nos deslocamentos da população local. “A construção desse metrô será muito mais em função do interesse em relação ao turismo do que necessariamente das orientações e necessidades da população”, afirma.

No total, o governo federal destinará R$ 30 bilhões – sendo R$ 18 bilhões do PAC Mobilidade das Grandes Cidades e os outros R$ 12 bilhões do PAC Copa – para as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 investirem na solução dos problemas de mobilidade urbana.

Fonte: Mercado Ético

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