Consumo consciente e volta às aulas

Momento de renovação, o mês de volta às aulas favorece a reflexão sobre a contribuição das escolas para a construção de uma sociedade mais sustentável e para a formação de consumidores conscientes. A fim de estimular que professores, alunos e escolas sejam propositivos em práticas educativas de consumo consciente e na crença de que a educação tem em si um poder enorme para a formação de cidadãos mais conscientes, o Akatu divulga aqui algumas experiências que podem ser inspiradoras.

A primeira delas é do próprio Akatu. O Akatu vem trabalhando uma frente de educação e comunicação para crianças de 8 a 10 anos, que articula um portal específico para elas (www.akatumirim.org.br) com ações nas escolas e no próprio site.

Além disso, o Akatu desenvolveu um sistema pelo qual são engajados os professores do ensino Fundamental 2 (11 a 15 anos de idade) no sentido de inserirem em cada disciplina do currículo escolar um projeto temático voltado ao consumo consciente e sustentabilidade. Consta desse sistema, além do engajamento dos professores: um material para o professor, um material para os alunos, uma plataforma on line para troca de experiências entre os professores e uma campanha de comunicação para as escolas.  Adicionalmente, o Akatu desenvolveu, em conjunto com o Canal Futura e a HP, um conjunto chamado Consciente Coletivo, contendo10 animações educativas sobre o consumo consciente e a sustentabilidade. Os vídeos são acompanhados de um manual do multiplicador que pode ser usado para trabalhar com professores de escolas ou mesmo com jovens do ensino médio para aplicação dos vídeos como ferramenta educativa.

O Akatu ainda, em parceria com o Instituto Faça Parte e a Braskem, desenvolveu o projeto Um Novo Olhar sobre o Plástico em escolas de todo o país. A partir das discussões sobre o uso consciente do plástico, temáticas relacionadas à coleta seletiva de resíduos e reaproveitamento de alimentos são abordadas na comunidade escolar.

Pensando no uso consciente do dinheiro, o Colégio Jardim França, em São Paulo, tem educação financeira como disciplina formal a partir do 6º ano. Entender a necessidade de medir os gastos e planejá-los faz parte do currículo dos estudantes. Mesada, dinheiro para o lanche, crédito para o celular são itens cotidianos de crianças e adolescentes e que norteiam discussões e atividades em sala de aula. Além de economizar, os alunos são instigados a entender de onde vem e para onde vai o dinheiro: como se ganha, como fazer para gastá-lo melhor, por que comprar este ou aquele produto e de que maneira evitar atitudes consumistas.

Em Diadema (SP), a Escola Stagium realiza atividades com a temática do consumo consciente desde 2008. “A partir do 4º ano [9 anos de idade], crianças calculam, com a ajuda de pais e professores, ao longo do ano, o total de gastos mensais com lanche, materiais escolares, uniformes, roupas, remédios, comida, passeios e outros itens de consumo. São provocados a entender o que significa esse custo comparando-o com o valor de um salário mínimo. Com discussões em grupo, refletem sobre o que isso representa na sociedade em que vivem”, conta Greice Urtado Ilha, coordenadora pedagógica do 2º ao 5º ano da escola. Questionando as diferenças entre o que querem e o que precisam para viver, a partir de um orçamento específico, vão construindo as relações entre o que é caro ou barato, importante ou não. Para mostrar as descobertas do ano, a escola realiza o Simpósio Criança Mídia e Consumo ao fim do período letivo apresentando resultados desta e de outras atividades relacionadas ao consumo consciente.

O Colégio Santa Cruz, em janeiro deste ano organizou uma feira para venda de livros usados. A proposta convidou famílias a doarem os livros didáticos não mais utilizados por elas – mas que serão adotados em 2012 –, para serem vendidos a preço simbólico pela escola (20% do preço de capa). Dessa maneira, além de promover a cultura de consumo consciente que evita o desperdício, a escola incentiva a preservação e a valorização do material didático. O valor arrecadado com a venda dos livros será destinado às obras do projeto social do Colégio.

As empresas estão atentas ao comportamento das escolas e dos consumidores, que atualmente tendem a escolher produtos cada vez mais alinhados aos princípios do consumo consciente. Uma delas é a Faber-Castell, que lançou no mercado estojo feito de plástico produzido a partir da cana-de-açúcar, deixando, portanto, de utilizar  combustível fóssil na produção dessa matéria prima.

As iniciativas aqui relatadas são apenas exemplos de práticas de escolas e empresas preocupadas em fazer do ambiente escolar um ambiente de formação mais ampla, que leve em conta a formação das pessoas como consumidoras conscientes. Existem muitas outras empresas e muitas outras escolas trabalhando na mesma direção. Se você faz parte de uma delas, escreva para faleconosco@akatu.org.br contando a sua experiência. Se sua empresa ou escola ainda não tem nenhuma iniciativa nesta linha de atuação, pense em que ação seria possível propor.

Fonte: Instituto Akatu

Práticas de escolas e empresas são inspiradoras para o consumidor atento à sustentabilidade do planeta