Companhias aéreas podem lucrar com aumento de passagens por causa do EU ETS

As companhias aéreas podem ter lucros com uma sobretaxa de US$ 3 para passageiros introduzida para cobrir os novos custos da regulamentação da UE para emissões de gases do efeito estufa porque as empresas receberão a maioria das permissões de CO2 de graça.

Cinco companhias aéreas, incluindo a Delta Airlines e United Continental, impuseram na última semana uma elevação de preços em seus voos da/para a Europa, alguns dias depois que a UE, em 1º de janeiro, forçou todas as companhias aéreas a usar seus aeroportos para pagar por suas emissões sob o sistema cap-and-trade do bloco.

Ainda assim, o atual custo para cumprir com o esquema, projetado para combater as mudanças climáticas, deve ser menor do que US$ 3 por passageiro porque as companhias aéreas receberão dois terços de suas permissões de graça e o preço que elas precisarão pagar pelos certificados de emissão estão caindo a novos recordes de baixa.

Peter Hind, analista de aviação da RDC Aviation, do Reino Unido, disse que se a Delta fosse forçada a comprar todas as permissões no mercado, isso custaria a ela cerca de três euros por passageiro, baseado nos atuais preços das permissões de carbono da UE, equivalentes a uma tonelada de CO2, de cerca de US$ 8,55.

As regras da UE para calcular as emissões significam que os custos do carbono podem variar por companhia aérea e dependem da eficiência do combustível de cada aeronave e de quantos passageiros estão a bordo de cada voo.

O PASSAGEIRO PAGA

Um estudo de 31 de dezembro financiado parcialmente pelo governo dos EUA descobriu que se as companhias aéreas pudessem passar aos passageiros todos os custos dos certificados de emissão que elas entregam às autoridades da UE, elas embolsariam cerca de US$ 2,6 bilhões nos próximos oito anos, porque muitas permissões serão dadas de graça.

“Ganhos por causa das permissões grátis podem ser substanciais porque, sob as atuais regras de distribuição, as linhas aéreas teriam apenas que comprar cerca de um terço das permissões necessárias”, afirmou o estudo de acadêmicos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e da Universidade de Muenster, que foi publicado no Journal of Air Transport Management.

MEDO DE TRANSPARÊNCIA

Muitas companhias aéreas dos EUA se opõem à regulamentação unilateral de emissões da EU, mas tais práticas tarifárias poderiam resultar no aumento do lucro de muitas companhias aéreas por sua participação no EU ETS, de acordo com Annie Petsonk, conselheira internacional do grupo verde Environmental Defense Fund.

“Estamos pedindo às companhias aéreas que sejam transparentes sobre o quanto elas estão aumentando no preço do bilhete e o que elas estão fazendo com o dinheiro”, declarou ela.

Apesar de acreditar que as companhias aéreas poderiam aumentar as tarifas em cerca de 3% por passageiro como resultado dos custos do EU ETS, o OAG, um segundo grupo de analistas do Reino Unido, disse que era “muito improvável” que as companhias atingissem um lucro, já que os reguladores da UE ficarão vigilantes.

“Todo o esquema é transparente, com relatórios anuais de uso etc. Suspeito que vários reguladores da UE estarão observando muito cuidadosamente”, afirmou um porta-voz do OAG em um e-mail.

Os limites progressivamente menores impostos pelo ETS significam que as companhias aéreas terão que investir em métodos mais limpos de voar ou enfrentar custos ainda maiores, embora estimativas desses custos variem consideravelmente.

A Comissão Europeia, que projetou o esquema, estima que um bilhete transatlântico aumentaria cerca de US$ 7,65 com o preço do carbono de US$ 19,15, enquanto o Instituto de Aviação dos EUA, um grupo de pesquisa de aviação comercial, declarou à Reuters no último mês que a lei de carbono da UE poderia acrescentar US$ 70-90 nas passagens, baseado nos atuais preços do petróleo.

Pode ser difícil para os passageiros saberem quanto do preço de seu bilhete é o custo incorrido pelo esquema da UE, de acordo com Rick Searney, do Farecompare.com, um web site que monitora os dados de preço de voos.

“As companhias aéreas nunca admitirão a razão de uma sobretaxa, porque elas dirão que não
discutem decisões de preço.”

A Delta Airlines estava indisponível para comentar o assunto.

Traduzido por Jéssica Lipinski

Leia na íntegra (em inglês)

Fonte: Reuters

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