Várias formas de PET

Todo ano, milhões de toneladas de garrafas em plástico PET (polietileno tereftalato) são produzidas, circulam entre nós e são devolvidas, dispostas, recicladas e reutilizadas. Cada uma, com mais ou menos sorte, encontra sua apropriada – ou nem tanto – destinação.

Mas o que é o PET? Você sabe? Pois fui pesquisar a origem do termo: é um polímero termoplástico (poliéster), formado a partir da reação entre um ácido e um produto chamado etilenoglicol, 100% derivado do petróleo ou do gás natural. Mundialmente, começou a ser utilizado como embalagem na década de 1970, mas, no Brasil, só obteve espaço no fim da década de 1980 e na indústria têxtil.

Possui ao menos duas grandes propriedades: a leveza (cerca de 1,9 kg de petróleo fornece aproximadamente 1 kg de PET – cada garrafa de 1,5 litro pode pesar entre 27 g e 35 g) e a capacidade de ser reprocessado diversas vezes, permitindo um reuso quase ilimitado.

Além disso, fornece embalagens de superfícies duras e transparentes, com boas propriedades mecânicas, baixa absorção de água, boa resistência química e baixo coeficiente de dilatação. E sabemos de que forma ele chega até nós: em 71% das vezes, sob a forma de embalagens de bebidas, incluída aqui a água; em 29% dos casos sob a forma de fibras sintéticas (dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, ABIPET).

O fato é que as garrafas PET são sempre lembradas como as vilãs das tentativas de coleta e disposição final adequadas. Primeiro, porque não raras são as vezes em que as vemos jogadas nas estradas ou boiando em cursos de água. Segundo, porque o porcentual de reciclagem (realizado, principalmente da forma mecânica) desse produto é relativamente baixo.

Segundo a ABIPET, em 2007 foram recicladas 231 quilotoneladas, o equivalente a 53,5% do PET produzido.E aqui começa o problema: onde estarão os 46,5% restantes? Como garantir a destinação correta das embalagens de pós-consumo (a chamada logística “reversa”)? Como estimular a reciclagem? Eu vejo pouco estímulo a esse respeito nos ambientes públicos, supermercados, nos locais onde adquirimos os PETs.

Também por conta dos vendedores das embalagens, vejo pouca ou quase nenhuma propaganda informativa acerca dos PETs. Há alguma campanha na escola de seu filho? No Brasil, encaminhamos para a reciclagem, via coleta seletiva, a garrafa PET com a tampa. Mas, em países como a Itália, por exemplo, existe acirrada campanha para a coleta das tampas em separado. (Elas são de polietileno, não de PET!) Dia desses, um amigo, e ele há de se lembrar quando ler a coluna, sugeriu que as PETs poderiam ser objeto de uma legislação específica, a exemplo do que aconteceu com as garrafas de vidro, uma época retornáveis. Sugestões à parte, concordo que algo tem de ser feito.

E você? Tem alguma ideia que possa incentivar o retorno das garrafas PETs? Há algumas semanas, em uma rápida viagem, observei que muitas soluções têm passado pela simples transformação física do produto: garrafas PET se transformando em suportes para relógio (eu também fiquei pasma!), enfeites para as ruas (como aqueles que vemos na época de Natal); e até em artefatos para a pesca.

Já vi até produtos como os chamados “calendários ecológicos”, feitos de PET. Mas a pergunta é: e depois? Serão esses calendários encaminhados de forma apropriada à destinação final? Ou estamos frente a algo que podemos chamar de retardamento ambiental? Que tal pensarmos de que forma podemos colaborar com essa situação na próxima vez que comprarmos uma garrafa PET?


Fonte: Mariusa Colombo_ bióloga