Setor têxtil contamina rios chineses, acusa Greenpeace

Greenpeace apresentou nesta quarta-feira, com ato de protesto em Pequim, um estudo que vincula a contaminação em muitos rios da China com a atividade de empresas que fornecem para grandes indústrias multinacionais do setor têxtil.

O estudo, com título de “Dirty laundry” (“Trapos sujos”), analisou águas residuais junto a duas fábricas abastecedoras de importantes marcas, Youngor Textile (perto de Xangai, no delta do rio Yangtze) e Well Dyeing Factory (junto a Hong Kong, na desembocadura do Pérola) e encontrou altos níveis de dois poluentes.

Trata-se do nonilfenol e de PFC, substâncias proibidas na União Europeia e que podem produzir mudanças hormonais em seres vivos, por isso que, segundo o estudo, alteram o sexo dos peixes e podem reduzir o esperma nos homens.

“Os resultados não são como esperados menos alarmantes e as companhias devem adotar medidas a respeito”, afirmou à agência de notícias Efe Li Yifang, responsável pela campanha, na apresentação do estudo, junto a uma loja Adidas em shopping.

O estudo do Greenpeace aponta que as fábricas denunciadas no estudo poderiam não ser casos isolados, e adverte que as duas plantas denunciadas têm relações comerciais com empresas como Adidas, Calvin Klein, Converse, H&M, Lacoste, Li Ning, Cortefiel e Puma.

Algumas destas empresas, contatadas pelo Greenpeace, negaram qualquer relação, mas assinalaram que vão investigar as atividades de seus fornecedores.

No protesto posterior à apresentação do estudo, vários membros da ONG colaram cartazes na loja que Adidas tem em Pequim, a maior do mundo, os quais foram retirados pelos funcionários do estabelecimento minutos depois.

“O protesto é só para dar maior visibilidade a esta realidade que prejudica as pessoas e o ecossistema desses locais. Acreditamos que a responsabilidade não é só do governo, mas as empresas têm de ter um papel importante aqui”, declarou Li.

“Continuaremos tentando conscientizar governo e as multinacionais sobre a importância do meio ambiente e do respeito ao mesmo”, concluiu Li.

Da EFE

Foto: Patricia Patriota

Foto: Patricia Patriota