Redução de emissões para manter aumento da temperatura em 2°C é possível

“Esse estudo, novamente, nos lembra de que os esforços para lidar com as mudanças climáticas ainda são insuficientes atualmente. Mas também mostra que é possível preencher a lacuna entre o que foi prometido e o que precisa ser feito para ficarmos abaixo dos dois graus Celsius médios de aumento de temperatura”.

Ao mesmo tempo em que apresenta um cenário negativo, a declaração de Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), sobre a nova pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) ainda traz um pouco de esperança em relação a nosso futuro climático.

É que o novo relatório, intitulado Bridging the emissions gap (Transpondo a lacuna de emissões) é enfático ao dizer que mesmo se todos os atuais compromissos climáticos internacionais forem cumpridos, ainda chegaremos em 2020 emitindo seis bilhões de toneladas anuais a mais de gases do efeito estufa (GEEs) do que o ideal para mantermos a temperatura média da Terra com um aumento de apenas dois graus Celsius.

De acordo com o documento, o panorama é ainda pior se considerarmos um cenário em que não haja iniciativas climáticas, prevendo de 11 a 12 bilhões de toneladas a mais de GEEs em relação ao limite de 44 bilhões de toneladas por ano. Mesmo em um panorama positivo, com todas as ações climáticas atuais sendo cumpridas, chegaríamos a 2020 com um índice anual de 50 bilhões de emissões.

“Para manter-nos dentro do limite de dois graus, as emissões globais terão que diminuir logo, e o total de emissões dos gases do efeito estufa em 2050 deve ser cerca de 46% menor do que seu nível de 1990, ou cerca de 53% menor do que o nível de 2005”, afirma o relatório, do qual participaram 55 especialistas de 28 centros científicos de 15 países.

Mas segundo o estudo, ainda há razão para crer que as emissões podem ser contidas e que os impactos mais graves das mudanças climáticas podem ser controlados. “Há evidências abundantes de que reduções de emissões de 14 a 20 bilhões de toneladas são possíveis até 2020 e sem rupturas técnicas e financeiras significantes”, explicou Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA.

O relatório aponta algumas alternativas que podem ajudar a diminuir as emissões em setores como o energético, a indústria, o transporte, a aviação e a navegação, as construções, os resíduos, a silvicultura e a agricultura.

“Opções para reduzir as emissões de ambos os setores [aviação e navegação], por exemplo, incluem aperfeiçoar a eficiência de combustíveis e usar combustíveis de baixo carbono. Para o setor da navegação, outra opção promissora e simples é reduzir a velocidade das embarcações”.

Porém, o tempo para tomar todas estas iniciativas é curto. “A janela para lidar com as mudanças climáticas está se estreitando rapidamente, mas as opções para uma ação eficiente nunca foram mais abundantes”, ressalta o documento.

“Todos os estudos concordam que há um enorme potencial para reduzir emissões associadas a prédios, por exemplo, principalmente através da renovação e tornando-os mais eficientes em energia. Mas isso leva tempo, e agora temos muito menos tempo até 2020 para implementar essas medidas”, alertou Niklas Hohne, diretor de energia e políticas climáticas da consultoria Ecofys.

Por fim, analistas e especialistas lembraram que, apesar de haver pouca expectativa em relação às decisões que serão tomadas na próxima Conferência das Partes (COP 17), que inicia na próxima semana em Durban, na África do Sul, é importante insistir em delimitar pelo menos algumas questões neste encontro, como os detalhes do Fundo Climático Verde (GCF), que visa arrecadar fundos para ajudar países emergentes a lidarem com as mudanças climáticas.

“O tempo é curto, então precisamos otimizar as ferramentas à mão. Em Durban, os governos precisam resolver o futuro imediato do Protocolo de Quioto, definir um caminho rumo a um acordo climático global obrigatório, lançar uma rede institucional para apoiar os países em desenvolvimento em sua resposta ao desafio climático, e estabelecer um caminho para oferecer um financiamento de longo prazo que pague por isso”, observou Figueres.

“Ninguém espera que os governos encerrem essa lacuna totalmente em Durban. Mas ao menos eles devem evitar tornar a lacuna ainda maior ao concordarem com o enfraquecimento das regras de medição de carbono – já estamos em um buraco profundo, e é hora de pararmos de cavar”, concordou Keith Allott, diretor de mudanças climáticas do WWF – Reino unido.

“O relatório anual do PNUMA é uma contribuição vital para os esforços globais para lidar com as mudanças climáticas. Ele mostra que temos muito que fazer, tanto em termos de ambição e políticas, mas também mostra que essa lacuna pode ser encerrada se agirmos agora. Essa é uma mensagem de esperança e um importante chamado para a ação”, concluiu Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Fonte: Instituto Carbono Brasil
 
Novo documento do PNUMA revela que ainda há tempo de evitar as conseqüências mais graves das mudanças climáticas, mas que para isso esforços presentes precisam ser intensificados, pois metas atuais não são suficientes

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