Pesquisadores mapeiam seringais para prevenir danos

A heveicultura tem uma rentabilidade superior a 18% ao ano.

A heveicultura tem uma rentabilidade superior a 18% ao ano.

Todo cuidado é pouco para prever certos danos a essa cultura, por isso pesquisadores estão fazendo mapeamento dos seringais paulistas. O objetivo é prevenir o surgimento de uma praga que pode derrubar a produtividade da planta. Para comentar sobre esse assunto e a situação da seringueira no mercado, o Caminhos da Roça conversou com a engenheira agrônoma Elaine Gonçalves, que é especialista em genética e melhoramento de plantas e também trabalha na Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios).

Fernanda Mitzakoff – A gente sabe que o cultivo de seringueiras é bastante antigo, é histórico aqui no Brasil. Qual a diferença desse primeiro momento, do ciclo da borracha pra o atual momento?

Elaine Gonçalves – No século dezenove o ciclo da borracha foi baseado no extrativismo, a produção era na região da floresta amazônica, onde havia o monopólio da borracha. Assim o Brasil determinava os preços. Nos dias de hoje nós temos que competir com os outros mercados, principalmente Malásia, Indonésia, Tailândia, então a produção tem que ser maior e nós estamos inovando, com avanços tecnológicos muito grandes, principalmente com relação à irrigação e nutrição de plantas. Essas técnicas têm feito com que a gente consiga um retorno antecipado do capital investido e entrada da sangria da seringueira com redução de até dois anos.

Fernanda Mitzakoff – Por que hoje o Brasil importa borracha?

Elaine Gonçalves – Porque o Brasil produz um terço de borracha do que ele consome. Hoje a borracha, ela é uma matéria prima demandada por muitos países e os países se encontram em pleno desenvolvimento e existe uma escassez de borracha, principalmente pelos grandes países produtores por causa das intempéries que estão acontecendo.

Fernanda Mitzakoff – E o Brasil tem como dar conta dessa demanda?

Elaine Gonçalves – Sim, a cultura da seringueira está se expandindo para vários estados. Hoje o estado de São Paulo é o maior produtor. Ele responde hoje por 60% da produção nacional e nele temos 14 milhões de hectares aptos para a implantação da seringueira. Essas áreas são chamadas de áreas de escape, que são áreas sem restrições fito-sanitárias para a implantação da cultura e, somente no estado de São Paulo, ainda tem Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Mrosso. Então é uma grande oportunidade e hoje o Brasil gasta muito com a importação da borracha.

Fernanda Mitzakoff – Vamos falar de dinheiro, né? Para as pessoas de casa entenderem, quanto rende hoje a borracha?

Elaine Gonçalves – Olha, nós podemos fazer um cálculo a grosso modo, se a gente levar em consideração que a média de produção por árvore, no estado de são paulo, é de 7 kilos, por árvore, por ano e o preço da borracha a gente colocar em torno de R$3,50 o quilo do coágulo, que é um preço médio, e a gente tirar todos os gastos com mão de obra, insumos, hoje ela estaria dando em torno de R$ 7.500 por hectare, por ano.

Fernanda Mitzakoff – É bom?

Elaine Gonçalves – Rendimento líquido.

Fernanda Mitzakoff – Quais as tendências para os próximos anos?

Elaine Gonçalves – Crescimento dos plantios, por área implantada, principalmente para tentarmos abastecer o mercado interno, pelo menos isso e também existem previsões de falta de borracha no mundo.

Fonte: Painel Florestal

(Enviada pelo Colaborador Especial Gustavo Henrique de Oliveira)