O risco de jogar remédios no lixo

Programa ensina a descartar medicamento de forma correta

Rio – Quando o remédio deixa de ser usado ou acaba a validade onde jogá-lo fora? Segundo pesquisa da Unicamp, cerca de 98% das pessoas escolhem pia, vaso sanitário ou lixo comum para descartar os medicamentos. A atitude, entretanto, prejudica a saúde  da população, alertam especialistas. Contra este problema, o Programa Descarte Consciente vem instalando lixeiras especiais para coleta de medicamentos em desuso. No Rio já são 17 postos e fora da cidade, mais três.

Segundo José Agostini Roxo, diretor-presidente da Brasil Health Service — idealizadora do programa com a Droga Raia e a Medley — remédios precisam receber tratamento especial. “No lixo comum há mais chance do medicamento contaminar o solo e a água. Isso pode causar problemas à saúde”, afirma Roxo.

De fato. De acordo com o infectologista da UFRJ Edmilson Migowski, jogar antibióticos no ambiente, por exemplo, pode criar bactérias mais resistentes àquela substância, tornando o combate mais difícil. “Já hormônios e substâncias cancerígenas também podem estar presentes na água que consumimos e são, nestas condições, prejudiciais”, completa o médico.

Após o descarte nas estações coletoras de resíduos de medicamentos, o lixo é monitorado até a sua destruição. A dona de casa Guiomar Martins, 68 anos, aprovou a coleta. “Guardar remédio velho é perigoso e jogar na pia também. É só separar o lixo e levar na lixeira da farmácia. Assim evitamos problemas de saúde e poluição do ambiente”, diz.

Coletores específicos

De acordo com José Roxo, a pessoa é orientada sobre o descarte na estação de coleta e por meio de um equipamento de autoatendimento. “A estação tem três coletores: um para pomadas e comprimidos; um para líquidos e sprays; e outro para caixas e bulas que serão recicladas”, explica.

As estações estão instaladas em 20 pontos no Estado. No sitewww.descarteconsciente.com.br é possível saber onde estão as lixeiras mais próximas.

Fonte: O Dia/Ciências