Metade da população mundial se beneficia com medidas antitabaco

Cerca de 3,8 bilhões de pessoas –pouco mais da metade da população mundial– se beneficia de pelo menos uma das medidas contra o tabaco promovidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), afirmou nesta quinta-feira a instituição em seu terceiro informe sobre tabagismo.

O “Informe OMS sobre a Epidemia Mundial de Tabagismo 2011” foi lançado no Uruguai, país destacado pela organização por sua legislação para combater o consumo de cigarros e que enfrenta atualmente uma ação da multinacional de tabaco Philip Morris por suas normas antitabaco.

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As advertências sanitárias nos maços de cigarros protegem mais de 1 bilhão de pessoas em 19 países, quase o dobro do que há dois anos, segundo o relatório.

Os avisos com imagens são mais efetivos do que os que contêm apenas texto, especialmente nos países com taxas de alfabetização baixas, destaca o documento, que recomenda renovar periodicamente as imagens para manter seu efeito.

O tamanho da advertência também aumenta sua efetividade, sustenta a OMS, que destaca que os países que obrigam a incluir imagens maiores nos maços de cigarros são Uruguai (80% da superfície), México (65%) e Ilhas Maurício (65%).

No Canadá, o primeiro país a introduzir grandes advertências nos maços, em 2001, três em cada dez ex-fumantes afirmam que elas os motivaram a abandonar o cigarro e mais de um quarto ressaltaram que as advertências ajudaram a não voltar a fumar.

Comportamentos similares foram observados na Austrália, Brasil, Cingapura e Tailândia, indica o organismo, que recomenda incluir nos maços de cigarros dados sobre os serviços que ajudam a parar de fumar.

CAMPANHAS MASSIVAS

Desde 2009, data da publicação do último informe, 23 países fortaleceram o monitoramento do consumo de tabaco.

Em relação à publicidade, a OMS destaca que entre 2008 e 2010 Chade, Colômbia e Síria aprovaram amplas proibições à promoção e ao patrocínio de cigarros.

Assim, quase 28% da população mundial – 1,9 bilhão de pessoas em 23 países – está exposta a campanhas massivas antitabaco nacionais e que seguem as recomendações do Convênio Marco da OMS para o Controle do Tabaco (CMCT), vigente desde fevereiro de 2005 e aprovado por 174 países.

Atualmente, há 19 países com 425 milhões de pessoas – 6% da população mundial – “totalmente protegidas das táticas de marketing da indústria, 80 milhões a mais que em 2008”. Destes, 15 são de renda média ou baixa, observa a OMS.

Outros 101 países proíbem a publicidade impressa, televisiva ou de rádio e outros tipos de publicidade direta ou indireta, algo que a OMS considera “ainda insuficiente”. Cerca de 38% dos países (74 no total) não têm nenhuma restrição à publicidade de cigarros, ou têm restrições mínimas.

Por outro lado, nos últimos dois anos aumentou para 31 a quantidade de países que protegem fortemente a exposição à fumaça do tabaco, o que engloba mais de 739 milhões de pessoas (11% da população mundial).

Outras 210 milhões de pessoas estão protegidas por leis estatais, como ocorre no Brasil e nos Estados Unidos.

O informe destaca o caso da Venezuela, que, embora não tenha ratificado o CMCT, “começou a implementar a maioria das medidas de controle de tabaco do tratado”.

“FAZER MAIS”

“A quantidade de pessoas atualmente protegidas por medidas de controle do tabaco está aumentando a um ritmo destacável”, observa no informe o subdiretor geral da OMS, Ala Alwan. “No entanto, a epidemia do tabaco segue se expandindo devido ao marketing da indústria do tabaco, ao aumento da população em países onde aumenta o uso do tabaco e ao vício do tabaco, que dificulta que as pessoas deixem de fumar”, acrescenta Alwan, que sustenta que todos os países “podem e devem fazer mais” para cumprir seu compromisso com o CMCT.

A OMS adverte que o tabaco continua sendo a maior causa mundial de mortes evitáveis, matando a cada ano quase 6 milhões de pessoas.

“Se a tendência mundial se mantiver, em 2030 o tabaco matará mais de 8 milhões de pessoas ao ano, e 80% destas mortes prematuras serão registradas nos países de renda baixa e média”, conclui.

Fonte: Ana Inés Cibils

Frande Presse- Montevidéu/ Folha