Guarulhos tem os banheiros mais sujos do Brasil

Levantamento mostra situação precária dos sanitários dos aeroportos das cidades sede da Copa de 2014.

Movimento intenso no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (Evelson de Freitas/AE)

Dentro de todos os problemas de infraestrutura dos aeroportos para receber os turistas que aterrissarão no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014, consultores debruçaram-se sobre um aparentemente prosaico: banheiros. A H2C, especializada em uso racional da água, mapeou o que os usuários dos 15 aeroportos que atenderão às 12 cidades-sede da Copa sabem por experiência própria. O número de banheiros é inferior ao exigido pelo fluxo de passageiros, as descargas funcionam mal e desperdiçam água, a manutenção é deficiente e a higiene beira o desastre. Neste quesito, o pior desempenho ficou com o maior aeroporto brasileiro. Guarulhos recebeu uma humilhante nota 3,5 – o que foi determinante para colocá-lo em antepenúltimo lugar – atrás apenas dos aeroportos Eduardo Gomes (Manaus) e Marechal Rondon (Cuiabá). A nota mais alta, conferida ao Aeroporto de Congonhas, foi 7,33.

Durante as visitas aos aeroportos para a realização do estudo, os problemas encontrados nos banheiros foram os mais diversos. Interdição de cabines, problemas nos equipamentos, indicando falhas ou até inexistência de manutenção preventiva, lixeiras danificadas, falta de papel higiênico e papel para secagem das mãos e uma falta de higiene que o relatório descreve em detalhes escabrosos.

Em Guarulhos, além da sujeira, falta manutenção e há vazamentos. O tamanho das cabines também não é compatível com a necessidade daqueles com problemas de acessibilidade. Para completar, o número de bacias sanitárias, mictórios e torneiras é pequeno na área de desembarque. Os aeroportos cariocas tiveram desempenho medíocre. O Galeão ocupou o 5º lugar e o Santos Dumont, o sétimo. No quesito limpeza, os dois foram mal: nota 5.

As condições dos sanitários públicos dos aeroportos foram avaliados a partir da análise ambiental, da manutenção e da higienização. Esses critérios foram os norteadores das notas distribuídas entre zero e 10. A nota mais alta dada a um quesito foi 8,5. Trata-se do Aeroporto Internacional do Recife, no item ambiental. Este quesito considera o consumo de água das bacias sanitárias e válvulas de descarga, torneiras e mictórios.

Mesmo o mais bem colocado no ranking, o aeroporto de Congonhas, tem o que melhorar. O estudo chama a atenção para o mesmo problema encontrado em Guarulhos, que é a pequena quantidade de sanitários no desembarque, o que provoca filas. Ainda assim é o aeroporto que tem os melhores sanitários, apesar de ter um movimento que só perde para Guarulhos: são 19,91 usuários potenciais por minuto.

Como conclusão, a consultoria lembra que a maioria dos aeroportos visitados não conta com torneiras e mictórios eletrônicos, que são mais econômicos na utlização da água e propiciam melhor higienização. “A falta de uniformização entre os modelos e marcas de metais e louças sanitárias nos aeroportos causa desequilíbrios no consumo de água e gastos excessivos de manutenção, pois fabricantes diferentes possuem controles de qualidade completamente diferentes”, diz a pesquisa.

Fonte : VEJA