Grito dos Excluídos vai protestar contra obra em Manaus

O arcebispo de Manaus, d. Luiz Soares Vieira, 74, disse nesta segunda-feira que o 17º Grito dos Excluídos, manifestação que acontece no Dia da Independência (Sete de Setembro) em várias cidades do país, vai protestar contra a obra de um porto na margem direita do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, que formam o Amazonas.

“Colocar um bem econômico [o porto] acima das questões da preservação do encontro das águas, que é um patrimônio natural, pode trazer danos irreversíveis. Depois será complicado acertar de novo”, afirmou à Folha d. Luiz Soares Vieira.

No mes passado, a Justiça Federal anulou o tombamento do encontro das águas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A decisão, que atendeu ação do governo do Amazonas, foi justificada pela ausência de audiências públicas no processo de tombamento.

Encontro das águas dos rios Negro e Solimões, no Amazonas, foi tombado em 2010. / Foto : RICKEY ROGER _ Reuters

A medida beneficiou a empresas Log-In Logística Intermodal e Juma Participações (Grupo Simões). O projeto do porto fica dentro do limite da área tombada. O Iphan entrou com um recurso contra a decisão.

D. Luiz Soares Vieira afirmou que se não ocorreram audiências públicas, que se faça o procedimento. “O que não pode deixar é fazer o que bem entendem na Amazônia, destruindo a floresta, à vida e seu povo”, disse.

Em Manaus, o 17º Grito dos Excluídos acontece a partir das 15h desta quarta-feira, no Parque dos Bilhares, zona centro-sul. O arcebispo de Manaus disse que 5.000 pessoas são esperadas na manifestação.

A reportagem não conseguiu localizar representantes das empresas para comentar as manifestações. Em outra ocasião, a Log-In Logística Intermodal disse que recebeu a licença de instalação da obra do governo estadual. Disse que iniciará a construção do terminal nos próximos meses.

O líder do governo na Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Sinésio Campos (PT) disse que o governo pediu a redução da área tombada ao Iphan para beneficiar a obra e as empresas da Zona Franca. O Iphan respondeu que não atendeu ao pedido do governo.

Fonte : KÁTIA BRASIL
DE MANAUS / FOLHA