Economistas do Nobel não têm soluções rápidas para crise

Após anúncio, Sims diz que 'não há resposta simples' contra a crise. Norte-americanos estudaram causas e efeitos de medidas dos governos. Foto : Divulgação

“Somos apenas tipos formais que olham para os números e tentam entender o que está acontecendo”, afirmou Thomas Sargent, que ganhou o prêmio com Christopher Sims

Os norte-americanos Thomas Sargent eChristopher Sims ganharam o Prêmio Nobel de Economia nesta segunda-feira (10) pelo trabalho dos governos para medir os efeitos das políticas, mas eles não têm respostas fáceis para uma crise global que um deles chamou simplesmente de “esta bagunça”.

A pesquisa que os dois conduziram separadamente nos anos 1970 teve como fato central os esforços para modelar e quantificar causa e efeito na economia, incluindo a complexa interação de política de Estado e banco central com pessoas e empresas.

“Pânicos e crises… o que está acontecendo na Europa agora com o euro, isso tem tudo a ver com as expectativas sobre o que outras pessoas vão fazer,” disse Sargent, de 68 anos, daUniversidade de Nova York, em entrevista transmitida no website da organização do Nobel.

Por exemplo, gastos do governo para resgatar uma economia do colapso podem ter seu impacto limitado por pessoas vendo limites às finanças estatais e esperando que o estímulo se esgote.

Mas Sargent alertou que ele e Sims, colegas de longa data na Universidade de Minnesota, não tinham respostas fáceis para a crise de hoje.

“Somos apenas tipos formais que olham para os números e tentam entender o que está acontecendo”, afirmou Sargent. “Nós tentamos experimentar em nossos modelos antes de arruinar o mundo.”

Sims, igualmente de 68 anos e atualmente em Princeton, também falou sobre os problemas financeiros atuais. “Se eu tivesse uma solução simples para isso eu estaria espalhando para todo o mundo… requer muito trabalho demorado observando os dados, infelizmente.”

“Os métodos que eu usei e que o Tom desenvolveu são essenciais para descobrir um caminho para sairmos da confusão”, acrescentou.

Prêmio

Academia Real Sueca de Ciências disse que concedeu a premiação equivalente a 1,5 milhão de dólares em honra à “pesquisa empírica sobre a causa e o efeito na macroeconomia” e disse que o trabalho realizado pelos dois economistas criava uma base para a análise macroeconômica moderna.

“Uma das principais tarefas da pesquisa em macroeconomia é compreender como ambos, choques e mudanças sistemáticas em políticas, afetam variáveis macroeconômicas no curto e no longo prazo,” disse a Academia em comunicado sobre o prêmio.

“As premiadas contribuições em pesquisa de Sargent e Sims têm sido indispensáveis para esse trabalho.”

Causa e efeito

Sargent desenvolveu um modelo matemático em seu trabalho e o descreveu em uma série de artigos nos anos 1970. Sims escreveu um artigo em 1980 que introduziu uma nova maneira de analisar dados usando o modelo chamado de auto-regressão vetorial.

Torsten Persson, da Universidade de Estocolmo e que integra o comitê de premiação, disse que não estava claro se o trabalho deles poderia ser utilizado como remédio imediatamente, num momento em que ministros e presidentes de bancos centrais tentam equilibrar os esforços para promover crescimento na produção e emprego com as preocupações sobre cortar as dívidas dos Estados e a inflação crescente.

“Essa é uma grande questão”, afirmou Persson. “Não estou certo de que haja qualquer ajuda imediata. Crises como a que estamos vivenciando hoje – uma crise financeira mundial – não acontecem todo ano, nem mesmo toda década.”

O prêmio de economia, chamado oficialmente de Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, foi instituído em 1968. Ele não fazia parte do grupo original de premiações estabelecidas no testamento de Nobel de 1895, tendo sido criado pelo banco central da Suécia, o Riksbank.

Fonte : Reuters _ Gazeta do Povo