Como o mercado de seguros muda com o clima

A maior ocorrência de eventos extremos faz com que a indústria de seguros inclua novos desafios ao seu negócio. Algumas das principais questões do setor dizem respeito ao valor das perdas por catástrofes, a imprevisibilidade dos fenômenos naturais e as coberturas metereológicas

Chuvas torrenciais, furações, erupções de vulcões, tsunamis e terremotos são cada vez mais frequentes. Para remediar os estragos desses eventos extremos existem apólices de seguros. É o mercado de seguros que recompensa – financeiramente – a destruição de casas, automóveis, matérias-primas ou mesmo mortes. Justamente por conta do aumento na frequência das catástrofes naturais, essa indústria precisa adaptar o seu negócio às novas demandas.

“O seguro existe para riscos sobre os quais as pessoas têm pouca influência, mas causam grande impacto econômico em suas vidas. Para as seguradoras, o maior medo é o de uma grande perda ou de um acúmulo de perdas inesperadas”, afirma John Arpel, presidente da Allianz Risk Transfer da Holanda. Segundo ele, para que as seguradoras administrem seus portfólios de riscos, devem levar em conta as estatísticas de experiências do passado e as áreas e o modo como os segurados são expostos às mudanças climáticas.

Estimar o valor de perda de bens e serviços, no entanto, é mais difícil do que parece. Após os terremotos como os que atingiram a Nova Zelândia, em setembro de 2010, ou o Japão, neste ano, madeiras e cabos de eletricidade, por exemplo, viraram materiais superdisputados. De uma hora para outra, todos precisaram de elementos essenciais como esses para reconstruir suas casas. “Valor é algo muito relativo. Por isso, avaliar coisas simples é uma tarefa extremamente difícil. Por exemplo, eu seria sortudo se recebesse um dólar por uma garrafa d’água aqui. Mas se estivesse dois dias no calor de um deserto daria tudo o que pudesse por ela”, exemplifica o especialista.

Além disso, ainda é difícil estimar a magnitude de um impacto. “Apesar de previsões como a do Centro Nacional de Furacões, dos EUA, não sabemos quando um furacão vai atingir a terra, nem quanto dano causará. O estrago pode ser zero ou de uma indústria inteira”, disse. As estimativas do órgão apontam que, neste ano, há 20% de chances de que furacões atinjam o Atlântico Norte – o Irene, que atingiu recentemente os Estados Unidos, confirmou a estatística. Se eles chegarem à costa sul do país, as indenizações podem chegar a US$ 10 bilhões.

O impacto econômico de eventos extremos também pode chegar a níveis inimagináveis. Para Arpel, como hoje o consumo mundial é interdependente, esses eventos interferem na economia mundial, uma vez que regiões atingidas deixam de fornecer matéria-prima ou produtos para outros locais. Não só uma indústria é impactada, como toda a sua cadeia de fornecedores. “Estive recentemente na África do Sul, onde uma companhia de taxis terá de esperar até novembro para comprar novos carros para a frota, por causa do que houve no Japão. Há também o risco de reputação de grandes empresas impactadas por desastres. Até agora o mercado de seguros não tem uma resposta para isso”, afirma.
Outra discussão atual do mercado são as coberturas meteorológicas indexadas nos seguros. Elas seriam uma nova forma de lidar com riscos do clima, como chuvas intensas ou secas. “Muitos negócios dependem das condições meteorológicas, como a agricultura, os parques eólicos e as hidrelétricas”, conta Arpel.

Oswaldo Massambani, físico e Ph.

Marina Franco – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 08/09/2011

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