Bunker nazista se torna usina sustentável

Torre que resistiu a bombardeios e tentativas de implosão na cidade alemã de Hamburgo fornecerá energia elétrica para 3 mil residências

HAMBURGO – Durante a 2.ª Guerra, até 30 mil pessoas se aglomeravam no bunker de Wilhelmsburg, na cidade alemã de Hamburgo, buscando abrigo contra as bombas lançadas pelos Aliados – a enorme torre construída no Terceiro Reich por Adolf Hitler é tão resistente que sobreviveu às tentativas de implodi-la no pós-guerra. Décadas mais tarde, o edifício estava em ruínas. Mas agora urbanistas fazem dele um abrigo para um importante projeto de energia renovável.

 

A modernização do “bunker da energia” está bem adiantada. Escavadeiras puseram por terra suas paredes de 2 metros de espessura, abrindo uma das fachadas. A reforma deve ser concluída no início de 2013 e a parte central oca abrigará uma usina termoelétrica movida a biomassa. O teto e a parede do lado sul serão cobertos de painéis solares e a usina terá um tanque de armazenamento para bombear água para casas vizinhas.

A iniciativa é da IBA Hamburg, projeto de renovação que busca soluções ambientais para as cidades. Urbanistas e especialistas em energia pretendem mostrar que as cidades podem fazer mais que importar energia renovável de áreas rurais. Segundo eles, as cidades, que consomem 80% dos recursos, estão demorando para repensar a fonte da energia que consomem.

Concentrando-se no bairro de Wilhelmsburg, a equipe do IBA dá uma amostra em pequena escala do que pode ser uma paisagem urbana sustentável. “Estamos realizando algo novo, trazendo a produção de energia para o centro do ambiente urbano”, disse Karsten Wessel, coordenador do projeto Cidades e Mudança Climática. “Na Alemanha, temos povoados que são 100% suficientes em termos energéticos, mas estão quase todos em áreas rurais.”

Em 2010, Munique anunciou planos para consumir apenas energia renovável em 2015. “Mas o que eles pretendem é importar energia da Europa e de fazendas eólicas em alto-mar”, diz Wessel. “Nosso trabalho é local.” Ele e seus colegas pretendem tornar Wilhelmsburg num bairro isento de carbono e suprir suas necessidades com energias renováveis dentro de 15 anos. Em 2050, as energias renováveis também deverão prover os sistemas de aquecimento do bairro.

A bordo de uma construção flutuante repleta de painéis solares no Elba, os urbanistas trabalham para atingir sua ambiciosa meta. Sua colorida “casa flutuante” abriga uma exposição do projeto. Guias conduzem grupos de bicicleta em visitas ao local. Da sacada, os visitantes observam a paisagem industrial. É um bairro que abriga uma das maiores populações imigrantes de Hamburgo e importantes vias de tráfego.

Ambivalência. Mas a reação dos moradores tem sido ambivalente. Margaret Mackert, que cria um centro de documentação sobre a torre, diz que o local é importante e sua história precisa ser preservada. “Para as pessoas mais velhas, que eram crianças durante a guerra, o bunker é visto como algo positivo, como se oferecesse proteção. Os mais jovens o consideram um memorial feio e ameaçador – mas sabem que é importante que permaneça.” 

Fonte : ESTADO de SÃO PAULO

DER SPIEGEL. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO