Beneficiamento da casca de coco verde

O coco verde abre um ciclo de valorização deste resíduo sólido, cada vez mais presente em nossos centros urbanos, oferecendo novos empregos (e não transferência) promovendo o social sustentável tão debatido nestes tempos. Sua influencia na preservação do meio ambiente está justamente em poupar os aterros sanitários e lixões deste resíduo (lixo urbano) alem de substituir o Xaxim que após anos de extrativismo vem desaparecendo de nossa “MATA ATLÂNTICA”.

Trata-se de um sistema cíclico e sustentável, organizado em várias etapas. Cada uma delas movimenta um ou mais setores da economia com repercussões sociais, ambientais e comerciais. Esta integração acompanha a empresa em cada uma de suas ações, é o compromisso de que estamos envolvidos em uma atividade global e única, onde entendemos que esta atitude é uma obrigação empresarial e que, portanto, faz parte do nosso ciclo comercial e definem nossas premissas básicas, que são: preservação do meio ambiente, proteção da natureza e o bem estar social.

A exemplo da nossa luta com a extração / transporte e comércio do XAXIM, já prevejo grandes debates e questionamentos.

PLACAS PARA COBERTURA VERDE O que é um telhado verde? Um telhado verde, é uma fina camada de vegetação instalada no alto de um telhado plano ou inclinado. A vegetação pode variar de gramado de arbustos ou mesmo árvores, dependendo do clima e da capacidade de carga do telhado.

Com o Coco Verde, iniciamos a produção de um dos componentes para implantação de coberturas verdes, ou seja, uma bandeja em fibra de coco na medida de 40x40x7cm com 5 cm de profundidade pesando 1,2 kg. Para casos especiais também temos a placa 40x40x11cm com 9cm de profundidade.

A exemplo do Jardim Vertical, placa térmica. Como isolamento térmico foi implantado em outubro de 2004 e permaneceu até março de 2010 para implantação da cobertura verde.

VIABILIDADE DA RECICLAGEM DO COCO VERDE

Cobrar para receber o lixo do COCO VERDE. Algumas pessoas se ofendem ou no mínimo ficam bastante intrigadas.

Vamos tentar esclarecer um pouco sobre a viabilidade da reciclagem do COCO VERDE.

É muito simples: ela tem que ter um custo final inferior a fibra do COCO SECO produzida no Nordeste.

Como o nome já diz, COCO SECO, não tem resíduo líquido no seu processo de extração . E também é produzida normalmente em áreas rurais.

O coco seco é composto basicamente da fibra (utilizada em diversas aplicações) do pó que é utilizado na agricultura como insumo para substrato e do endocarpo que é a parte dura muito utilizada em artesanato, biomassa, substrato para orquídeas e várias outras aplicações.

O COCO VERDE, é composto de 85% de umidade em seu mesocarpo que será retirado 50% do seu peso original já no início do processo, utilizando prensa de grande capacidade.

Na secagem da fibra se retirará mais 20% por evaporação ao sol. Assim obteremos uma fibra com aproximadamente 15% de umidade.

O fato de se produzir um efluente líquido industrial que deverá passar por todo um processo de tratamento encarece em muito o produto final que seja a fibra ou o pó já que no COCO VERDE não contamos com o endocarpo. É praticamente inexistente e some misturado ao pó ( insumo para substrato).

Lembrar sempre que a reciclagem do COCO VERDE é uma atividade praticada em meio urbano e isto na prática se traduz por uma grande exigência por parte das instituições fiscalizadoras.

Já quem processa em área rural sempre pode dar um jeitinho inclusive alegando usos que são inverídicos e passa batido, pois a fiscalização é bastante dificultada.

Podemos afirmar de forma categórica que se uma planta de reciclagem do COCO VERDE não cobrar para receber este lixo ela é totalmente inviável.

Por outro lado, o gerador do LIXO do COCO VERDE terá que encaminhar para aterro sanitário e isto também é um custo muito alto e não apenas custa muito como também estará colaborando de forma negativa para com o meio ambiente , pois o COCO VERDE ajudará a diminuir a vida útil do aterro sanitário e também não estará gerando emprego e renda.

Nós os recicladores temos que chegar a um valor que satisfaça ao gerador do lixo do COCO VERDE e também permita que a atividade seja lucrativa.

No nosso caso que também possuímos uma industria de transformação da fibra de coco em vários produtos manufaturados, teremos de fazer uma opção que valha a pena produzir sua própria fibra e assim trazer de volta estes empregos para nossa cidade. Não trazendo mais fibra de COCO SECO do Nordeste.

Fonte: Philippe Jean Henri Mayer

Beneficiamento da casca de coco verde

PESQUISADOR(es):

Morsyleide de Freitas Rosa

APRESENTAÇÃO:

As cascas do coco verde correspondem a 80% do peso bruto do fruto. No entanto, ao contrário das cascas de coco seco que são utilizadas tradicionalmente para a produção de pó e fibra, o resíduo do coco verde é descartado. O material vem sendo disposto em aterros e lixões, o que vem provocando um enorme problema aos serviços municipais de coleta de lixo, em função, principalmente, do grande volume.
Paralelamente, a análise do comportamento histórico da oferta de coco verde no mercado demonstra expressivo crescimento dos plantios nos últimos cinco anos. Segundo informações do Grupo de Coco do Vale, a área plantada no país com a variedade Anão, destinada à água-de-coco, aumentou para cerca de 57 mil hectares, dos quais cerca de 33 mil encontram-se no Nordeste do Brasil. O desenvolvimento de alternativas de aproveitamento da casca de coco verde possibilita a redução da disposição de resíduos sólidos em aterros sanitários e proporciona uma nova opção de rendimento junto aos sítios de produção.

DESCRIÇÃO DA TECNOLOGIA:

O processo de obtenção do pó e da fibra da casca de coco verde é feito mecanicamente com a utilização de um conjunto de equipamento desenvolvidos em parceria da Embrapa Agroindústria Tropical com a metalúrgica FORTALMAG. A produção de pó e fibra da casca de coco verde é constituído basicamente de três etapas:

Trituração
Nesta etapa a casca de coco é cortada e triturada por um rolo de facas fixas. Este procedimento possibilita a realização da etapa de seleção e prensagem.

Prensagem
A casca de coco tem alta concentração de sais em níveis tóxicos para o cultivo de várias espécies vegetais. A casca de coco verde têm 85% de umidade e a maior parte dos sais se encontra em solução. A extração desta umidade via compressão mecânica possibilita a extração conjunta dos sais. A eficiência desta etapa é de importância fundamental para a perfeita seleção do material na etapa seguinte e também para a adequação do nível de salinidade do pó obtido no processamento.

Seleção
Após a prensagem são separadas as fibras do pó na máquina selecionadora que é equipada com um rolo de facas fixas e uma chapa perfurada. O material é turbilhonado ao longo do eixo da máquina, o que faz com que o pó caia pela chapa perfurada e a fibra saia no fim do percurso.

Após o processamento obtém-se o pó e a fibra da casca de coco verde com um rendimento sobre a matéria prima de 15% e 7,5% respectivamente.

INFORMAÇÕES MERCADOLÓGICAS:

A fibra pode ser usada na confecção de diversos produtos de utilidade para a agricultura, indústria e construção civil, em substituição a outras fibras naturais e sintéticas.
A fibra, tecida em forma de manta é um excelente material para ser usado em superfícies sujeitas à erosão provocada pela ação de chuvas ou ventos, como em taludes nas margens de rodovias e ferrovias, em áreas de reflorestamento, em parques urbanos e em qualquer área de declive acentuado ou de ressecamento rápido.
Compósitos reforçados com fibras naturais podem ser uma alternativa viável em relação aqueles que usam fibras sintéticas como as fibras de vidro. As fibras naturais podem conferir propriedades interessantes em materiais poliméricos, como boa rigidez dielétrica, melhor resistência ao impacto e características de isolamento térmico e acústico.
Na indústria de embalagens existem projetos para a utilização da fibra de coco como carga para o PET, podendo gerar materiais plásticos com propriedades adequadas para aplicações práticas e resultando em contribuição para a resolução de problemas ambientais, ou seja, reduzindo o tempo de decomposição do plástico.
A indústria da borracha é receptora também de grande número de projetos envolvendo produtos ecológicos diversos, desde a utilização da fibra do coco maduro e verde na confecção de solados de calçados, até encostos e bancos de carros.
Utilizada há várias décadas como um produto isolante em diversas situações, a fibra de coco tem hoje uma diversidade de aplicações, pelas características que apresenta. Devido às suas excepcionais performances acústicas, a fibra de coco verde e maduro contribui para uma redução substancial dos níveis sonoros, quer de impacto, quer aéreos, sendo a solução ideal para muitos dos problemas na área acústica, superando largamente os resultados obtidos com a utilização de outros materiais.
Ademais, a crise energética mundial das últimas duas décadas tem motivado o desenvolvimento de pesquisas sobre o fibro-cimento ou ou fibro-concreto devido ao fato de a fabricação de cimento exigir menor demanda de energia comparada com a necessária à fabricação do aço ou dos plásticos. Assim, no Brasil, a utilização da fibra de coco verde na construção civil pode criar possibilidades no avanço da questão habitacional, através da redução do uso e do custo de materiais, envolvendo a definição de matrizes que inter-relacionam aspectos políticos e sócio-econômicos.
Além dos usos já citados a fibra da casca de coco verde pode ser utilizada na confecção de vasos, placas e bastões para o cultivo de diversas espécies vegetais. Além de substituírem os produtos tradicionais a base de barro, cimento e plástico, também substituem os subprodutos extraídos do samambaiaçu, espécie vegetal da mata atlântica ameaçada de extinção. Desta forma a comercialização de vasos, placas e bastões de fibra da casca de coco verde, busca a inserção no nicho de mercado ocupado hoje pelo xaxim que é um produto de exploração cada vez mais restrita pela legislação brasileira.
A confecção de artesanatos variados também representa uma importante forma de aproveitamento da fibra da casca de coco verde, haja vista que o Brasil tem sido cada vez mais um importante destino para os turistas de outros países, grandes consumidores deste tipo de produto.
Os principais estados potenciais consumidores deste tipo de produto são: São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
Assim como a fibra o pó da casca de coco verde também pode ser utilizado na confecção de artesanato, compondo uma massa moldável que pode originar uma grande gama de produtos.
A parte fibrosa do coco maduro, ao ser beneficiada, produz fibras e uma considerável quantidade de pó. Esse material (pó de coco) é amplamente utilizado em diferentes partes do mundo como substrato para plantas. O substrato obtido a partir dos frutos maduros do coco tem se mostrado como um dos melhores meios de cultivo para a produção de vegetais, principalmente em função de sua estrutura física vantajosa, que proporciona alta porosidade e alto
potencial de retenção de umidade, conferindo a esse substrato características adequadas ao cultivo agrícola.
O pó de coco é um meio de cultivo 100% natural utilizado para germinação de sementes, propagação de plantas em viveiros e no cultivo de flores e hortaliças. Como o preço da turfa está cada vez mais elevado e as extratoras de turfas foram fechadas, o pó da casca de coco verde surge como uma alternativa que evita a aplicação de substratos que produzem impactos ambientais negativos (turfas, areia, entre outros).
Assim como a fibra o pó da casca de coco verde também pode ser utilizado na confecção de artesanato, compondo uma massa moldável que pode originar uma grande gama de produtos.
As características de absorção de líquidos do pó também possibilita seu uso em derramamentos de óleo e como cama para animais de estimação e laboratório.
Por fim, comprimido o pó se transforma em um bricket que substitui a madeira em fornos de pizzarias, padarias, siderúrgicas e outros.

INFRA-ESTRUTURA NECESSÁRIA:

A implantação de uma unidade de beneficiamento de casca de coco verde pode assumir uma grande diversidade de formas. Tal variação é fruto do produto final pretendido. No caso de uma unidade para a produção de substrato agrícola e fibra bruta, é necessário um galpão para processamento de 200 m² e uma área de armazenamento de igual tamanho. Considerando o custo por metro quadrado de área construída de R$ 350,00, tem-se um investimento em obra civil da ordem de R$ 140.000,00. Soma-se a este valor o investimento em equipamentos da ordem de R$ 50.000,00.
Uma unidade deste porte tem capacidade para beneficiar mais de 5.500 toneladas de cascas de coco por ano, produzindo 250 toneladas de fibra e 485 toneladas de pó. O tempo de retorno esperado para o investimento é de um ano.

Fonte:EMBRAPA