Como enfrentar o inverno do aquecimento global

Às 7h da manhã de ontem começou o solstício do inverno aqui na cidade do Rio de Janeiro e em vários outros lugares do nosso hemisfério. Solstício significa sol parado, é quando o astro rei para de se mover no céu por causa da inclinação do eixo da Terra. Os dias começarão a se alongar até a chegada do solstício do verão, quando o sol atinge o maior grau de afastamento da linha do equador. No inverno, é preciso ter mais cuidados com a saúde, alimentar-se de caldos e sopas quentes, estar sempre protegido do frio. Mesmo que nós, aqui no Sudeste do Brasil, não enfrentemos temperaturas tão severas quanto podem ser as regiões que ficam perto dos polos, ainda assim precisamos nos proteger.

E aumentam, assim, as filas nas unidades de atendimento médico, com crianças tossindo, espirrando, sem ar. Se você, caro leitor, tem a impressão de que este quadro vem se acelerando a cada ano que passa, pode estar certo disso, não é apenas sensação. E os ambientalistas, que passam grande parte de suas vidas chamando a atenção para a necessidade de se baixar emissões de gases poluentes com menos carros na rua, apenas olham e se sentem incomodados e impotentes. É o aquecimento global, seus estúpidos, que está causando tantos males.

As pesquisas não param de ser publicadas, estudos são feitos. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde publicou um relatório mostrando que mais de uma em cada quatro mortes de crianças menores de 5 anos em todo o mundo são atribuídas a ambientes considerados insalubres. Todos os anos, riscos ambientais – como poluição do ar, água não tratada, falta de saneamento e higiene inadequada – tomam a vida de 1,7 milhão de crianças nessa faixa etária.

São 570 mil crianças menores de 5 anos que morrem em razão de infecções respiratórias como pneumonia, atribuídas à poluição de ambientes internos e externos e à fumaça de cigarros.

E o quadro não sofreu melhoras neste um ano. Ontem mesmo, o jornal britânico “Independent” publicou uma pesquisa da ONG Global Action Plan, dando conta de que crianças de escolas primárias estão sendo expostas a 30% a mais poluição do que os adultos enquanto caminham por estradas movimentadas devido à proximidade com os gases que escapam dos veículos. A pesquisa foi publicada justamente no primeiro dia do inverno aqui no Hemisfério Sul, e que no Reino Unido é chamado de Clean Air Day, uma campanha naquele país voltada a construir consciência sobre os efeitos negativos da poluição do ar.

Os pesquisadores da ONG usaram técnicas de imagens para provar que a altura das crianças as torna mais vulneráveis aos gases que escapam dos veículos, incluindo óxido de nitrogênio (NOx), dióxido de nitrogênio (NO2) e partículas de diesel. Se as crianças forem para a escola dentro de veículos a gasolina ou diesel, a situação não melhora para elas, que continuam submetidas à poluição de qualquer jeito. Como estão com os pulmões ainda se desenvolvendo, a vulnerabilidade dos pequenos é maior do que a dos adultos.

Lá no Reino Unido, este é um dos maiores perigos para as crianças em idade escolar, já que 30% delas, segundo a pesquisa, vivem em zonas aéreas consideradas tóxicas. Aqui na cidade do Rio de Janeiro, haja visto o que aconteceu com o menino Marcus Vinícius, há um perigo que também vem do ar mas é muito mais letal. Não pude deixar de fazer esta referência, mas sigo o tema a partir daqui.

“Nós não faríamos nossos filhos beberem água suja, então por que estamos permitindo que eles respirem ar sujo?”, perguntou-se Amy Gibbs, do Unicef UK, programa da ONU que cuida de dar assistência humanitária a crianças e mães em países pobres.

Voltam-se as vistas, assim, para o governo britânico. O que os parlamentares estão fazendo para tentar resolver o problema? Arrastando os pés, dizem deputados de vários partidos políticos ouvidos pelo britânico “The Guardian” em reportagem também publicada ontem no site do jornal sobre poluição, em alusão ao Clean Air Day.

Lilian Greenwood, presidente do comitê de seleção de transportes, um dos que fez diversas recomendações aos governos, disse aos repórteres: “Nosso relatório pediu ao governo que tome medidas para reduzir nossa dependência de carros e aumentar o uso do transporte público. Estamos decepcionados, portanto, que a resposta não inclua iniciativas substanciais de transporte público ou de planejamento urbano ”.

A poluição do ar causa cerca de 40 mil mortes prematuras por ano no Reino Unido e está ligada a problemas de saúde, desde doenças infantis até doenças cardíacas e demência, diz a reportagem no “The Guardian”. Preocupações com as emissões de dióxido de nitrogênio espalhadas pelo ar cresceram desde que a Volkswagen foi flagrada, em setembro de 2015, tentando enganar os testes de poluição do ar com 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo.

O governo respondeu aos parlamentares, dizendo que estabeleceu um plano de 3,5 bilhões de libras para reduzir as emissões.

Quanto a nós, aqui do Hemisfério Sul, que acabamos de entrar na estação que mais traz problemas para a respiração de nossas crianças, vamos mesmo tendo que torcer para encontrar soluções (várias, não uma só), que nos deixem menos vulneráveis. Busquei aqui no livro “A Doença como Caminho”, de Thorwald Dethlefsen e Rudiger Dahlke (Ed. Cultrix), algo que pudesse servir como sugestão. E vejam só: a respiração, segundo os autores, psicólogos formados pela Universidade de Munique, nos liga a tudo o que existe. E tem muito a ver com contato, com relacionamento. De qualquer maneira, dizem eles, o simples fato de uma pessoa tentar uma saída para a doença já é um contato com a saúde.

Maurício Tattar, médico integralista que segue a Homeopatia, ouviu meu apelo pela rede social e alongou as sugestões que podem evitar as doenças causadas pela poluição excessiva no inverno:

“A melhor forma de manter as vias aéreas limpas no inverno é: evitar ao máximo tudo que está na geladeira, já que tudo o quer for gelado vai agredir as vias aéreas e digestivas. É bom começar o dia bebendo água morna com limão. O café da manhã com frutas cítricas, ovos quentes, chás ou café sem adoçar, frutas secas com castanhas, chia e gergelim preto. Uma fruta no meio da manhã com chá verde ou dente de leão e, no almoço, arroz integral mais feijões mais legumes e verduras cozidas. Nada cru ou frio. No prato deve ter sempre uma folha verde escura e alguma raiz. Depois da refeição, tome chá verde, de espinheira santa ou hortelã. No jantar, sopa de raiz. É importante fazer escalda pés com água morna e sal grosso antes de dormir, comprar óleo essencial de eucalipto, pingar 2 gotas num copo de água quente e inalar. O eucalipto é antisséptico das vias aéreas”.

fonte:https://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/como-enfrentar-o-inverno-do-aquecimento-global.ghtml