Carbono como moeda

Como a precificação de carbono já está sendo utilizada por negócios e governos para estimular a inovação, decidir investimentos e fortalecer a competitividade na nova economia do clima

Os efeitos das mudanças climáticas são cada vez mais sentidos nas diferentes esferas da vida e em todo o globo. O aumento das temperaturas causado pelas atividades humanas tem desequilibrado ecossistemas, levando espécies à extinção e multiplicando ameaças para saúde, segurança energética, alimentar e hídrica a ponto de ser classificado no topo da lista de riscos globais do Fórum Econômico Mundial. Ao mesmo tempo que o sistema econômico é parte desse problema – uma vez que o preço que pagamos por produtos e serviços não reflete os impactos socioambientais causados ao longo de seus ciclos de vida – já começa a ser parte da solução à medida que sinais de preço para as emissões de gases de efeito estufa começam a ser adotados em diferentes países.

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Conhecida como precificação de carbono, essa proposta consiste em atribuir um custo aos impactos gerados pelo aumento de gases de efeito estufa na atmosfera, causado pela queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra para a produção dos insumos, manufatura, distribuição e consumo dos produtos e serviços que consumimos.

A precificação de carbono já é uma realidade em 42 países e 25 governos subnacionais com sistemas de comércio de emissões e/ou tributação de carbono implantados ou adotados oficialmente com data para iniciar operação[1]. Essas 67 jurisdições representavam em novembro de 2017 quase metade da economia global, e suas iniciativas de precificação cobrem 15% das emissões globais de GEE, ou 8 bilhões de tCO2e. Com a oficialização em dezembro de 2017 do sistema nacional de comércio de emissões (cap and trade) na China – cuja operação deve começar até o fim de 2018 –, as iniciativas de precificação ampliarão sua cobertura para 20% a 25% das emissões globais de gases de efeito estufa.