União Europeia e IPCC pedem que Estados Unidos ajam com relação às mudanças climáticas

Não é de hoje que os Estados Unidos, um dos maiores poluidores e emissores de gases do efeito estufa (GEEs), enfrenta a pressão de outros governos e entidades para tomar iniciativas que combatam o aquecimento global. Desta vez, quem pede para que os norte-americanos ajam é a dinamarquesa Connie Hedegaard, comissária climática da União Europeia, e Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Hedegaard afirmou que se o presidente Barack Obama rejeitar a proposta do oleoduto Keystone XL, que ligará a província de Alberta, no Canadá, ao Texas, reforçará a mensagem de que o país está engajado na luta contra o aquecimento global. Recentemente, uma manifestação contra a aprovação do oleoduto foi considerada o maior protesto climático da história dos EUA.

“Isso seria um sinal extremamente forte para a administração Obama”, comentou a comissária climática. A dinamarquesa, que está em Washington, deve se reunir com alguns deputados e senadores Democratas, além do enviado climático dos EUA Todd Stern, para pedir apoio às causas climáticas.

Além do pedido por ação para os Estados Unidos, ela declarou que a UE pretende classificar o petróleo retirado das areias betuminosas de Keystone XL como “altamente poluente”, numa tentativa de evitar que as refinarias europeias comprem o produto.

Hedegaard também comentou que outra iniciativa que os EUA poderiam defender para lutar contra as mudanças climáticas é a adoção de uma forma de reduzir as emissões do setor aéreo mundial.

A comissária climática admitiu que está vendo progresso nas atuais negociações, mas acrescentou que a ação propostapelos Estados Unidos de excluir as emissões do tempo de voo gasto sobre águas internacionais é muito tímida, e não cobre as emissões aéreas de maneira adequada.

Mas a dinamarquesa não foi a única a pedir que os EUA assumam uma posição de mais liderança frente ao fenômeno. Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, sugeriu que o país se foque na divulgação das “realidades científicas das mudanças climáticas”.

Falando ao jornal The Guardian, Pachauri acredita que uma das prioridades de Obama deve ser a criação de uma consciência no público norte-americano de que o aquecimento global é um fenômeno em curso e que já está afetando os EUA e o mundo.

Segundo ele, outras duas prioridades devem ser “garantir que os preços da energia sejam racionalizados e proporcionar um preço sobre o carbono, pois isso garantiria que você vai desenvolver políticas que serão baixas em termos de emissões e intensidade. E finalmente, acredito que também é importante para um país como os EUA tomar medidas de adaptação climática: deve haver um plano muito claro”.

O presidente do IPCC parabenizou a promessa de Obama de combater as mudanças climáticas em seu segundo mandato, acrescentando que ainda acredita ser possível limitar os níveis de CO2 na atmosfera em 450 partes por milhão (PPM) para evitar as piores consequências do aquecimento global.

Pachauri também comentou sobre o lançamento do rascunho do quinto relatório do IPCC, afirmando que por mais que ainda haja céticos climáticos, acredita que aos poucos a população perceberá a realidade do fenômeno.

“Se as vozes sensatas observarem a verdade pelo que ela é então acredito que as pessoas perceberão que o que estamos dizendo e o que a comunidade científica global está dizendo é algo que você não pode ignorar, e quanto mais você adiar tomar uma atitude sobre isso, mais complexo o desafio vai se tornar”, enfatizou.

Ele citou a elevação do nível do mar e as consequências desse fenômeno em alguns estados insulares devido ao aumento das temperaturas como uma das evidências de que as mudanças climáticas são reais e já estão acontecendo.

“Isso significa claramente que algumas nações insulares, algumas áreas costeiras baixas vão ser ameaçadas, mesmo com um aumento global de 2ºC. E isso é algo que a comunidade global têm que manter em mente”, concluiu.

Fonte: Instituto Carbono Brasil