Comissão Europeia quer meta de redução de emissões de 40% até 2030

A crise econômica que já há alguns anos vem afetando os países europeus teve como uma de suas consequências a redução das emissões de gases do efeito estufa, uma vez que houve uma queda da produção industrial.

Assim, a meta de reduzir em 20% as emissões até 2020 já está praticamente garantida e muitos advogam que seria necessário elevá-la para pelo menos 30%.

Porém, diversos países são contrários a essa medida, argumentando que 2020 está muito próximo e que uma meta mais rigorosa teria um efeito negativo para o setor industrial que ainda está tentando se recuperar.

Dessa forma, buscando uma luta que realmente tenha chance de ganhar, a Comissão Europeia (CE) divulgou um rascunho de proposta para uma meta de 40% de redução nas emissões até 2030. Uma iniciativa já defendida pelo presidente francês, Francois Hollande, no ano passado.

O documento da CE ainda precisa ser formalizado, o que deve acontecer neste mês, e depois passará por diversos comitês do Parlamento Europeu, entre eles o de Meio Ambiente e o de Indústria, antes de ser levado para votação.

Esse mesmo rascunho apresenta um grande apoio para a tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS), afirmando que é uma saída vital para a continuidade do uso dos combustíveis fósseis.

“Para permitir que os combustíveis fósseis se mantenham uma parte integral do mix energético e para que a União Europeia ofereça a possibilidade de uma transição para a economia verde, a implementação do CCS em larga escala é necessária”, afirma o documento.

Os preços baixos do carvão, assim como dos créditos de carbono, estão deixando muito atraentes os investimentos em novas termoelétricas. Assim, a CE acredita que o melhor é incentivar o CCS, já que parece inevitável que o uso do carvão deve aumentar.

“Atrasos no CCS significam que no futuro os custos para descarbonização do setor elétrico serão muito mais altos. O carvão limpo é uma nova e interessante forma para fornecer energia para as indústrias europeias”, conclui o rascunho.

Monitoramento

Também nesta semana, o Parlamento Europeu aprovou duas novas leis que melhoram as regras de monitoramento e relato de emissões, incluindo dos setores florestal e agrícola.

“As novas regras ajudarão a Europa a desenvolver políticas climáticas robustas baseadas em evidências. Também facilitarão o melhor acompanhamento de nossas metas de emissão. Elas melhoram a transparência, a coordenação e a qualidade dos dados relatados, e também permitem a contabilização das emissões florestais e agrícolas de uma forma mais harmônica”, afirmou Connie Hedegaard, comissária climática da União Europeia.

A lei que diz respeito aos setores florestal e agrícola representa o primeiro passo para incorporar as emissões do uso da terra nas políticas climáticas da Europa. A intenção é posteriormente incluir essas atividades em programas e mecanismos, como o Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS).

“Esperamos que estas novas regras sirvam de exemplo nas negociações climáticas internacionais e sejam um modelo de transparência a ser seguido em ações de outros países”, completou Hedegaard.

(Instituto CarbonoBrasil)

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