CITES busca soluções para extinção de fauna e flora

Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES) realiza entre os dias 3 e 14 de março sua conferência trienal, que deve debater as melhores alternativas para diminuir os problemas causados pelas extinções em massa e perda de biodiversidade em nosso planeta.

O evento, que acontece em Bancoc, na Tailândia, deve reunir mais de dois mil representantes de 178 países, organizações não governamentais, empresas e povos indígenas para discutir propostas para proteger espécies da fauna e da flora, muitas das quais se encontram atualmente ameaçadas pela extração excessiva de recursos naturais, caça e comércio ilegais etc.

Neste ano, o evento tem um caráter especial, já que comemora o 40º aniversário da CITES e os esforços que a convenção tem feito nos últimos 40 anos para combater a perda de biodiversidade mundial.

Achim Steiner, sub-secretário-geral da ONU e diretor executivo do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável (PNUMA), estará presente na reunião, e destacou a relevância da CITES para a conservação das espécies.

“A CITES é tão relevante hoje como era há quatro décadas – de fato talvez ainda mais. À medida que a sobreexploração dos recursos naturais essenciais para o mundo coloca os países em um caminho insustentável, ainda mais pressão está sendo exercida sobre as espécies”, afirmou Steiner.

A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que também participará do encontro, fez um ‘Chamado para Ação’ para o combate ao comércio ilegal da vida selvagem. Esse ‘Chamado para Ação’ inclui quatro elementos: o aumento dos esforços diplomáticos; uma campanha de alcance global; áreas de aplicação fortalecidas e expandidas; e uma resposta global.

“Nos encontramos agora com todo o esforço positivo que começou há 30, 40 anos sendo afetado pelas mudanças que tivemos que lidar em cada nível da comunidade internacional… Nos últimos anos o tráfico de vida selvagem se tornou mais organizado, mais lucrativo, mais disseminado, e mais perigoso do que antes… Isso também é uma questão de segurança nacional, uma questão de saúde pública, e uma questão de segurança econômica”, declarou Clinton.

Esse ‘Chamado para Ação’ é, aliás, uma das 70 propostas que serão apresentadas para buscar melhorar a conservação e uso sustentável de espécies como tubarões, vicunhas, ursos polares, elefantes africanos, rinocerontes brancos, tartarugas de água doce, anfíbios, crocodilos, plantas ornamentais e medicinais etc.

Essa proposta é uma das polêmicas a ser enfrentada no evento, já que a Tailândia, onde a reunião está sendo realizada, é acusada de ser um dos países que mais contribui para o comércio de vida selvagem. Por isso, o governo tailandês atualmente enfrenta uma grande pressão para agir contra esse comércio.

“Depois de anos de fracasso para acabar com esse comércio irrestrito, a Tailândia deveria fechar esses mercados que estão alimentando a caça ilegal de elefantes na África”, sugeriu Carlos Drews, do WWF.

Entre as outras propostas estão: se a CITES deve ou não pedir que o Global Environmental Facility sirva como mecanismo financeiro para a convenção para ajudar os países a implementarem suas obrigações em nível nacional; os impactos potenciais das medidas da CITES sobre a vida das comunidades rurais pobres; se o dia três de março deve ser declarado Dia Mundial da Vida Selvagem; e o uso de voto secreto nas eleições da CITES.

Esta última, aliás, é outra das grandes polêmicas da reunião, já que muitas organizações criticam que as delegações da CITES muitas vezes ‘se escondem’ atrás do voto secreto para poderem colocar seus interesses comerciais à frente da conservação das espécies.

Por isso, muitos críticos esperam que o voto secreto seja restrito para haver uma maior transparência neste e em futuros encontros. “A CITES deve ser um órgão transparente – mas votações secretas se tornaram mais fáceis de implementar a mando de certos partidos que não querem que seu voto seja conhecido”, comentou Mark Jones, da Sociedade Humana Internacional, à BBC News.

“Os discursos de abertura do evento foram realmente interessantes e de forte tendência conservacionista. Vamos ver agora as votações… Isso é que sempre dá um frio na espinha!”, salientou Paulo Guilherme, membro fundador da ONG Divers for Sharks.

Outro assunto que deve ser muito debatido é a caça e comércio de animais marinhos, especialmente de populações de tubarões e arraias. Por isso, ummanifesto, organizado pela Divers for Sharks, será enviado às autoridades participantes, pedindo que se tomem medidas para proteger essas espécies.

O documento ressalta a importância das populações de tubarões e arraias para a geração de empregos e receita – na escala de bilhões de dólares – para a indústria mundial de mergulho, e lembra que a sobrepesca do tubarão pode prejudicar a indústria, especialmente dos países em desenvolvimento.

“Cinco espécies de tubarões (Sphyrna mokarran, S. lewini, S. zygaena, Carcharhinus longimanus, Lamna nasus) e duas de raias manta (Manta birostris e M. alfredi), passam por um período importantíssimo de suas existências. […] Será proposta a inclusão desses animais no Anexo II [da CITES], isso quer dizer que o comércio dessas espécies pode ser proibido, um passo de fundamental importância para a preservação desses animais, tendo em vista o gigante impacto da pesca sobre eles”, observou Alexandre Rodrigues, biólogo voluntário da Divers for Sharks.

“Já é hora de os governos ouvirem os interesses [da indústria] de mergulho e considerar não apenas o desastre ambiental, mas também a estupidez econômica que é matar os tubarões e arraias do mundo. Nossa indústria gera muito mais empregos e muito mais receita que o tráfico desnecessário de barbatanas de tubarão e arraias, e temos o direito de sermos ouvidos quando decisões como as que estão sendo tomadas pela CITES forem consideradas”, concluiu José Truda Palazzo Jr., coordenador da Divers for Sharks.

Fonte: Carbono Brasil