Queimadas ameaçam Mata do Ronca, em Paulista

Imagem meramente ilustrativa

 

O avanço das queimadas ameaça Área de Preservação Permanente (APP) em Paulista, no Grande Recife. Ocupação irregular e construção de moradias, aos poucos, estão matando a vegetação da Mata do Ronca, na Mirueira. Localizado no limite entre Paulista e o Recife, na margem da BR-101, o espaço de 141 hectares é coberto por resquícios de mata atlântica. Por causa da falta de controle do poder público, o local está cheio de árvores destruídas pelo fogo e virou depósito de lixo. Os moradores da Mirueira denunciam que a prefeitura, responsável pela fiscalização, não coíbe os abusos.

As construções irregulares na Mata do Ronca estão prejudicando também um riacho que abastece parte das pequenas propriedades da Mirueira. Aos poucos, a mata ciliar perdeu o espaço e o curso-d’água teve volume prejudicado.

“A água do Riacho do Ronca é usada para irrigar as plantações e para uso pessoal. Há poucos anos, dava até para beber. Agora, temos medo, porque o gosto não é o mesmo. A água está sendo poluída pelos ocupantes da área de preservação e, durante o verão, o fluxo diminui bastante”, afirmou um morador de um sítio perto da Mata do Ronca que preferiu não ser identificado.

O grupo que luta pela defesa da área de preservação conta com moradores do sítio vizinho à mata desde os anos 80. Segundo eles, a Mata do Ronca é habitat de animais como tatus, raposas, bichos-preguiça, sabiás, bacuraus e curiós. “Hoje, além do risco para os animais e da vegetação queimada, temos que conviver até com restos de carros roubados”, declarou outro morador.

De acordo com o diretor de Meio Ambiente de Paulista, Gerson Vicente da Silva, o município está intensificando as ações de combate à devastação. “Na última semana, estivemos na Mata do Ronca e constatamos a existência das ocupações irregulares, da extração de madeira e das queimadas em grande parte da reserva. Temos uma audiência marcada no Ministério Público Federal, no dia 29 de fevereiro, com representantes da massa falida da Lundgren Irmãos Tecidos Industrial e Comércio S.A. – Casas Pernambucanas, responsável pelas terras.

Fonte: JC Online