EPA revela dados de emissões dos maiores poluidores dos EUA

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) apresentou nesta quarta-feira (11) um novo mecanismo que permite monitorar as emissões individuais dos maiores poluidores do país.

A ferramenta, que é uma espécie de catálogo com as informações de emissões dos cerca de 6,7 mil maiores poluidores norte-americanos – ou seja, aqueles que liberam mais de 25 mil toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente por ano –, cobre cerca de 80% da liberação de gases do efeito estufa (GEEs) que ocorre no país.

Deste total, 72% vêm de usinas de produção de energia, e as 20 usinas de geração energética mais poluentes – a maioria alimentada por carvão – ficam concentradas em 15 estados dos EUA. O mecanismo está disponível para o público, o que significa que pessoas, comunidades e empresas podem verificar o quanto de GEEs os poluidores estão liberando na atmosfera.

“Esses dados disponíveis publicamente enriquecem e capacitam todos os que querem identificar oportunidades para reduzir os GEEs. Os dados podem ser usados por comunidades para identificar fontes próximas de emissões de GEEs”, comentou Gina McCarthy, administradora assistente da EPA.

“[Os dados] podem ser usados por fábricas para comparar suas emissões a operações similares para ver onde podem ter oportunidades eficientes para reduções. Podem ser usados também por empresas para rastrear suas próprias emissões ao longo do tempo e para monitorar o sucesso de sua redução de GEEs”, completou McCarthy.

Segundo o catálogo, as três usinas energéticas mais poluidoras dos EUA pertencem à Southern Company, grande produtora de carvão do país. As usinas de energia que ficaram em quarto, quinto e sexto lugares também são carboníferas, e pertencem à empresa American Electric Power (AEP).

“Essa é apenas outra forma de identificar as maiores usinas alimentadas por energia carbonífera no país. Sempre achamos que seríamos os primeiros em emissões de GEEs ou os segundos, atrás da Southern Co. A AEP e a Southern são as duas maiores consumidoras de carvão”, observou Pat Hemlepp, porta-voz da AEP.

O lançamento da ferramenta foi bem recebido por ambientalistas como Paul Zalzal, advogado do Fundo de Defesa Ambiental, que cumprimentou a iniciativa da agência em relação ao “direito do público de saber sobre as maiores fontes industriais de poluição climática da nação”.

Para os grupos ambientais, o mecanismo pode ajudar a estimular a redução de emissões. “A informação sem dúvida deve tornar as companhias, localidades e usinas especificas mais conscientes de seu perfil de emissões e pode levar alguns a reduzir suas próprias emissões”, sugeriu Paul Bledsoe, conselheiro do Centro de Política Bipartidário, grupo de pesquisa que trabalha com questões energéticas e ambientais.

Esse ponto de vista também é dividido pela agência. “Nossa esperança é que pessoas fora da EPA e do governo federal usem esses dados como uma fonte importante para tomar melhores decisões, e no fim, usar os dados de formas que nós aqui na EPA nem sequer contemplamos. No que confiamos é que informações melhores sempre levarão a um público mais bem informado, o que levará a uma proteção ambiental melhor”, declarou McCarthy.

Além dos grupos que já fornecem seus dados para o catálogo da EPA, outros 12 começarão a reportar suas informações de emissões para o programa pela primeira vez neste ano. A agência tem planos de verificar e refinar esses números.

“No próximo mês disponibilizaremos o relatório eletrônico para que as fábricas possam começar a relatar os dados de 2011. Estamos ansiosos para o segundo ano de dados para que possamos começar a rastrear as tendências de emissões pela primeira vez”, concluiu McCarthy.

O governo norte-americano planeja também reduzir a poluição de novas usinas de energia, e uma proposta de regulamentação pode ser lançada ainda neste mês. Nesse sentido, a ferramenta da EPA poderá facilitar essa redução, além de ajudar a lidar com as usinas que já estão em andamento.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

Nova ferramenta da Agência de Proteção Ambiental permite rastrear as emissões individuais dos 6,7 mil maiores poluidores do país, ou 80% das emissões norte-americanas