Divergências crescem com relação ao mercado de carbono da Califórnia

Com a proximidade do início do segundo maior mercado de carbono do planeta, que terá seu primeiro leilão em novembro, aumentam os debates sobre a eficiência e os impactos do cap-and-trade da Califórnia.

Grupos industriais, incluindo a Câmara de Comércio da Califórnia, enviaram nesta quinta-feira (20) uma carta ao governador do estado, Jerry Brown, pedindo o adiamento do mercado até que novos estudos sejam realizados.

Segundo as empresas, o mercado representa um novo imposto e pode resultar na redução de investimentos no estado e até na fuga das indústrias.

“A verdade é que essa ferramenta representa uma taxa ‘escondida’ de bilhões de dólares que prejudicará as companhias e os consumidores da Califórnia ao aumentar drasticamente o custo da energia em um momento que já estamos atravessando dificuldades econômicas”, afirma a carta.

O documento pede pelo menos por uma distribuição maior de créditos de carbono gratuitos. As regras atuais permitem a distribuição de até 90% dos créditos, uma porcentagem que começará a cair anualmente a partir de 2015.

A presidente da Diretoria de Recursos do Ar da Califórnia (ARB), Mary Nichols, rebateu as críticas e alertou que enfraquecer as regras pode resultar em lucros indevidos para muitas empresas que receberão grandes quantidades de créditos.

“Facilitar a transição é uma coisa, mas distribuir 100% dos créditos como querem algumas indústrias é inaceitável. Seria uma medida que prejudicaria as empresas que já estão investindo em novas tecnologias para reduzir suas emissões”, declarou Nichols.

O mercado de carbono californiano deve reunir mais de 600 indústrias inicialmente e promete abranger 85% das emissões do estado até 2015.

A ARB estima que sejam criados 77 mil postos de trabalho como resultado da ferramenta e que a arrecadação para o estado cresça US$ 7,3 bilhões até 2030.

Nesta quinta-feira (20), os créditos, chamados de California Carbon Allowances (CCAs), para entrega em 2013, estavam sendo negociados no “mercado de balcão” a US$ 15,70.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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