Tijolo ecológico transforma Bangladesh

Para reduzir as emissões de gases responsáveis pela aceleração do efeito estufa, uma nova tecnologia está sendo introduzida na fabricação de tijolos em Bangladesh. O projeto do PNUD e do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) trouxe ao país um processo mais moderno que, além de economizar energia e poluir menos que o método tradicional, proporciona melhores condições de trabalho.

O novo modelo adotado foi batizado em referência à principal etapa da fabricação dos tijolos: a queima, que transforma a massa de argila em um material de construção sólido e resistente. O forno híbrido Hoffmann (Hybrid Hoffman Kiln) foi criado na Alemanha e aperfeiçoado na China para substituir a forma tradicional poluente – e já obsoleta – de produção. Durante o projeto, o modelo foi então adaptado à estrutura local da indústria de Bangladesh. Isso possibilita que a tecnologia atual para a produção de tijolos no país asiático se torne eficiente e mais ecológica.

A rápida urbanização de Bangladesh, decorrente de um crescimento econômico constante de 5-6% nos últimos 15 anos, tem gerado uma rápida urbanização e expansão da construção civil. Como conseqüência, a demanda interna por tijolos acompanhou esse ritmo e cresceu a uma taxa semelhante, na casa de 6% ao ano.

Mesmo diante da importância econômica estratégica, as olarias em Bangladesh continuam, em grande parte, sem regulamentação. Mais de 90% dos fornos usados no processo de fabricação ainda fazem uso de procedimentos rudimentares. Além de altamente poluentes, possuem baixa eficiência energética. O alto consumo de combustíveis usados para alimentar os fornos libera anualmente 6 milhões de toneladas de gás-carbônico na atmosfera. Este resultado coloca a indústria de tijolos entre as maiores fontes emissoras de gases de efeito estufa no país. Nesse ritmo, o uso de tecnologia ultrapassada na secagem e queima de tijolos elevaria a emissão desses gases para 8,7 milhões de toneladas em 2014, um aumento de 45%.

Por economizar energia e matéria-prima, a nova tecnologia híbrida tem o potencial de otimizar a produção e ajudar a tornar Bangladesh um país mais limpo e ecológico. Se comparado a um forno tradicional, cada forno híbrido é capaz de reduzir em 5 mil toneladas a emissão de gás carbônico. A projeção é de que esta medida tenha um impacto significativo nas emissões nacionais caso esse modelo seja difundido e adotado em todo o país. Além disso, a nova estrutura de fornos e da linha de produção, proporciona melhores condições de trabalho para os operários e reforça a ideia de sustentabilidade não só econômica, mas também social e ambiental.

(PNUD Brasil)