Mudanças Climáticas afetarão diversidade genética

Conforme a definição de taxonomistas, as espécies apresentam subgrupos, chamados de linhagens, que apesar de possuírem as mesmas características fundamentais são dotadas de particularidades genéticas desenvolvidas para viverem melhor em um determinado habitat.

Pesquisadores agora alertam que muitas dessas linhagens correm o risco de desaparecer por causa das mudanças climáticas.  Segundo o estudo“Cryptic biodiversity loss linked to global climate change”, publicado na edição especial da revista Nature sobre mudanças climáticas, 79% das linhagens avaliadas – que os cientistas batizaram de evolutionary significant units (ESUs) – estarão extintas até 2080 se a humanidade continuar no padrão atual de emissões.

Para chegar a essa conclusão, a equipe observou insetos aquáticos que vivem em riachos nas montanhas na Europa Central. Essas espécies foram selecionadas porque são extremamente vulneráveis ao aumento das temperaturas, pois não possuem a habilidade de migrar grandes distancias e dependem do frio para sobreviver.

Para medir a diversidade genética, os pesquisadores sequenciaram os genes das mitocôndrias presentes nesses animais. Isto permitiu que cada espécie fosse dividida em várias ESUs.

Uma vez definido o número de ESUs, o estudo passou então a fazer uma projeção de quantos deles sobreviveriam ao aumento de temperaturas seguindo os modelos propostos pelo Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O resultado é ruim mesmo se as emissões forem reduzidas por políticas internacionais, levando à extinção de 59% das linhagens avaliadas.

“O desaparecimento das ESUs pode representar a perda da capacidade das espécies de se adaptarem a novas mudanças. Essa diversidade genética é a forma primordial de biodiversidade, é um substrato da evolução”, afirmou Carsten Nowak, um dos autores do estudo e biólogo do Instituto de Pesquisa Senckenberg e do Museu de História Natural de Gelnhausen, na Alemanha.

“Mostramos como as mudanças climáticas podem resultar em perdas significantes de uma diversidade muitas vezes ignorada. Mesmo com a impressão de que determinada espécie está segura, na realidade ela pode estar perdendo sua diversidade genética”, explicou Michael Balke, entomologista da Coleção de Zoologia da Bavária, em Monique.

O próximo passo, segundo os pesquisadores, é expandir a abordagem do estudo, para levar em conta espécies com a capacidade de migrar, e assim fazer o levantamento de outros ecossistemas.

Fonte : Fabiano Ávila / Instituto CarbonoBrasil/Nature