Brasil começa a definir temas para o Rio+20

 

01/07/2011

Agencia Brasil

O Brasil deverá defender, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que ocorre no ano que vem, o desenvolvimento sustentável em conjunto com a erradicação da pobreza, afirmou nesta sexta-feira (1º) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

“A ideia é trabalharmos sobre conteúdos. Temas que o Brasil quer formular no contexto da erradicação da pobreza, no contexto da economia verde e no arranjo adicional de governança e desenvolvimento sustentável”, disse a ministra depois de deixar a reunião da Comissão Nacional da Rio+20.

Esta foi a primeira vez que a comissão nacional se reuniu. O grupo vai discutir com órgãos do governo e com a sociedade civil os temas que serão tratados na Rio+20, em junho de 2012.

Segundo Izabella, a comissão tem até novembro para definir os temas que o Brasil vai levar para a reunião das Nações Unidas.

Criada no início do mês passado, a comissão é presidida pela ministra do Meio Ambiente e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

Rio+20 terá cúpula paralela organizada por entidades da sociedade civil

  • RIO+20 terá cúpula paralela organizada por entidades da sociedade civil
  • Rio de Janeiro – Organizações da sociedade e movimentos ambientalistas estão se articulando para tentar influenciar as decisões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro, em 2012.

A ideia é reunir entidades para instalar a Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, que funcionará paralelamente à conferência. A cúpula também acompanhará os eventos preparatórios para a Rio+20.

Cerca de 150 entidades de 27 país querem garantir a aprovação de propostas para o fim de problemas ambientais que acentuam desigualdades sociais, além de chamar atenção para o mito da “economia verde”, segundo o representante dos povos indígenas Marcos Terena.

“Não vamos permitir que o argumento da ‘economia verde’ olhe para a Amazônia, as florestas, a natureza, como mais uma fonte mercadológica capaz de atender as mesmas pessoas que estão destruindo o meio ambiente: os grandes blocos industriais, econômicos e até estatais”, disse.

Para Fátima Mello, que integra a Rede Brasileira de Integração dos Povos, os países têm dificuldades de assumir compromissos com medo de prejudicar as economias, mas a Rio+20 pedirá que comecem imediatamente um novo ciclo de economia comprometido com as novas realidades ambientais.

“Vamos afirmar que não haverá uma RIO+40. Nosso planeta não aguentará isso. Vamos dizer claramente que estamos cansados de conferências sem capacidade implementação e compromissos que não são condizentes com a crise do nosso planeta”, disse.

Para organizar a Cúpula dos Povos, que deve promover debates, palestras e outros eventos durante a Rio+20, no Aterro do Flamengo, as organizações se reúnem até amanhã (2), na capital fluminense. Estima-se a presença de 500 pessoas de diversas organizações.

Os ativistas avaliarão a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio92 ou Eco 92, que há 20 anos discutiu medidas para frear o aquecimento global, como o Protocolo de Quioto. O documento propôs a redução da emissão de gases de efeito estufa.

A expectativa é que outros assuntos, como os impactos sociais e ambientais das obras para Olimpíadas e a Copa do Mundo, também sejam debatidos. O ativista sul-africano Brian Ashley disse que está impressionado em ver as semelhanças nas reivindicações na África do Sul, último país a organizar a Copa, e no Brasil em relação ao evento esportivo.

“De repente, apareceu dinheiro para construção de elefantes brancos, como os estádios. Estamos vendo isso aqui também”, disse. Segundo ele, na África do Sul o problema dos transportes no país vem desde o Apartheid, e não foi resolvido com os investimentos da Copa do Mundo de 2010.

 

Edição: Aécio Amado

Isabela Vieira