Aumento do número de águas-vivas pode prejudicar absorção de carbono dos oceanos

Já é sabido que as mudanças climáticas têm influenciado no aumento do número de águas-vivas registrado nos últimos anos. Agora, um novo estudo do Instituto de Ciências Marítimas da Virgínia anunciou que o inverso também pode estar acontecendo: o crescimento da população do animal pode estar produzindo mais carbono do que o oceano pode absorver, intensificando a eliminação de CO2 para a atmosfera.

Além de agravar as alterações climáticas, a pesquisa indica também que a proliferação de águas-vivas pode desequilibrar a cadeia alimentar marinha, fazendo com que o animal consuma o alimento de outras espécies, o que pode levar ao desaparecimento gradual destas.

O estudo, intitulado Florescimento de águas-vivas resulta em maior eliminação de carbono por respiração bacteriana em sistemas marinhos, liderado por Robert Cordon, sugere que são vários os fatores que levam à proliferação de águas-vivas, como as mudanças climáticas, a pesca excessiva, o derramamento de fertilizantes agrícolas etc.

Assim, o animal acaba se reproduzindo em demasia, e consome excessivamente o plâncton, base da teia alimentar marinha. Com isso, sobra menos comida para as outras espécies, que podem se extinguir. “Isso restringe a transferência de energia pela cadeia alimentar porque a água-viva não é consumida facilmente por outros predadores”, explicou Cordon.

O que acontece então é que a população do animal se torna muito grande, e passa a produzir mais carbono do que o oceano pode sorver. Nesse aspecto, a diferença entre as águas-vivas e as outras espécies marinhas é que, enquanto as bactérias oceânicas conseguem absorver o carbono, o nitrogênio, o fósforo e outros elementos químicos da maioria dos peixes quando estes morrem, elas não conseguem fazer o mesmo com as águas-vivas.

Isso ocorre porque as bactérias não são capazes de absorver bem o carbono da biomassa dos invertebrados – dos quais a água-viva faz parte –, o que agrava a situação, pois a biomassa dos invertebrados possui altos níveis de carbono. Em vez de usar esse carbono para se desenvolver, a bactéria o expira como CO2, que vai parar na atmosfera.

Ademais, parte desse dióxido de carbono que não é expelida para a atmosfera é absorvida pelo oceano, e, de acordo com Carol Turley, cientista do Laboratório Marinho da Universidade de Plymouth, o excesso de CO2 pode levar a uma acidificação do oceano. “Os oceanos têm absorvido cerca de 25% do dióxido de carbono que o homem produziu nos últimos 200 anos, então eles têm agido como um amortecedor para as mudanças climáticas”.

“Quando você adiciona mais dióxido de carbono à água do mar ela se torna mais ácida. E isso já está acontecendo a uma taxa que não ocorria em 600 milhões de anos. Prevê-se que a acidificação dos oceanos tenha um efeito tão corrosivo que crustáceos e moluscos com concha se dissolverão até o meio do século”, esclareceu Turley.

Além disso, a proliferação de águas-vivas causa problemas nas regiões costeiras e usinas de dessalinização como no Japão, no Oriente Médio e na África, e é prejudicial para os banhistas, já que o contato com o animal pode causar desde queimaduras e dor até morte.

Fonte: Instituto carbono Brasil