Por que os cientistas têm (quase) certeza que as mudanças climáticas são causadas pelo homem?

Quanto maior a quantidade de CO2 no ar, mais acentuada a tendência ao aquecimento da atmosfera, o que contribui para o degelo das calotas polares

Quanto maior a quantidade de CO2 no ar, mais acentuada a tendência ao aquecimento da atmosfera, o que contribui para o degelo das calotas polares – Reprodução

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Cientistas atribuem mudança climática à atividade humana, principalmente, porque as pessoas foram responsáveis por grandes aumentos nas emissões de CO2, um dos principais fatores que influenciam o clima

O Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, em inglês), representante da opinião da comunidade científica, informou, no último dia 2, ser extremamente provável que a mudança climática seja produto da atividade humana. Em se tratando da linguagem do IPCC, “extremamente provável” significa uma probabilidade acima de 95%. A afirmação faz parte da quinta avaliação da entidade para o estado do clima global. Em sua primeira avaliação, realizada em 1990, o IPCC disse que “grande parte do aumento observado (nas temperaturas do ar) pode ser decorrência de variações naturais“. Por que os cientistas climáticos têm hoje muito mais certeza em relação ao elo entre atividade humana e mudança climática, agora quase descartada como natural?

Muitos fatores influenciam o clima, mas talvez o mais importante deles seja o dióxido de carbono (CO2). O CO2 absorve o calor infravermelho num ritmo constante, mais rápido do que o nitrogênio e o oxigênio – principais elementos que constituem a atmosfera – e, assim sendo, quanto maior a quantidade de CO2 no ar, mais acentuada a tendência ao aquecimento da atmosfera. Os cientistas atribuem a mudança climática à atividade humana principalmente porque as pessoas foram responsáveis por grandes aumentos nas emissões de CO2. No início da Revolução Industrial, aproximadamente no ano 1800, havia 280 ppm (partes por milhão) de CO2 na atmosfera. Esse fora o patamar que vigorou durante a maior parte da história da humanidade.

Mas, nesse ano, a concentração ultrapassou a marca de 400 ppm, a primeira vez em que isso ocorre em um milhão de anos. A maior parte desse aumento foi provocada pela queima de combustíveis fósseis. Nos Estados Unidos, por exemplo, 38% do CO2 produzido em 2012 veio da geração de eletricidade, e 32% das emissões de veículos (o restante veio de processos industriais, construções e outras fontes menores de produção de CO2). As pessoas também produzem CO2 quando derrubam florestas para abrir espaço para a agropecuária. Mas o ritmo de absorção do calor por parte do CO2 (já definido em experiências de laboratório) não explica todo o aumento na temperatura global. Se a concentração de CO2 fosse o dobro da observada em 1800, a temperatura média global teria alta de aproximadamente 1oC. Mas há muitos outros fatores influenciando o clima.

A alta no nível de CO2 influencia diretamente outros fenômenos, como a formação de nuvens, que aumentam e às vezes reduzem as temperaturas. O acréscimo de fuligem e outros aerossóis (partículas finas suspensas no ar) também pode intensificar ou amenizar o efeito do CO2. Como resultado, na prática a temperatura do planeta vai aumentar mais de 1°C para cada vez que a concentração de CO2 dobrar. Todos os cientistas climáticos concordam em relação a isso. Mas ainda é debatido entre eles o quanto esse aumento pode ser maior. Na prática, o aumento na temperatura do ar junto à superfície foi menor do que o previsto nos modelos climáticos computadorizados. Mas poucos duvidam da responsabilidade dos humanos, os principais agentes da mudança climática.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,por-que-os-cient…eza-que-as-mudancas-climaticas-sao-causadas-pelo-homem,1587327 

 

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