Vazamentos recentes alertam para o perigo de grandes projetos

Uma dezena de aves diretamente atingidas, 22 casas evacuadas e um casal de pássaros mortos foram o passivo parcial do vazamento de 12 mil barris de petróleo oriundos de um oleoduto da empresa Exxon Mobil Corp, no dia 29 de março, nos Estados Unidos.

O acidente ocorreu três dias depois em que uma balsa afundou no rio Negro, no Amazonas, carregada com trinta mil litros de um composto derivado do petróleo, utilizado para produção de asfalto. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou a empresa Francis José Chehuan & Cia, responsável pela Balsa, em R$300 mil, mas uma semana depois a limpeza da área ainda não foi finalizada.

Embora pareçam pequenos em relação às tragédias como a do Golfo do México ou o da Chevron na Bacia de Campos, vazamentos como estes demonstram à precária infraestrutura existente mesmo após essas ocorrências e alertam para o cuidado que as autoridades locais devem tomar com outros dois grandes projetos: a Keystone XL e o Pré-Sal brasileiro.

Perigo

Um dos primeiros desafios do segundo mandato de Obama, que prometeu ser “mais verde”, o apoio ao Keystone XL deve ser decidido ainda esse mês. O novo oleoduto, proposto pela petrolífera TransCanada, facilitaria a entrada do petróleo canadense nos EUA, por meio de uma ligação entre o já existente Keystone com o Golfo do México.

O projeto prevê uma nova rede de dutos, de mais de três mil quilômetros, entre o Canadá e o centro dos EUA, e deve custar cerca de US$ 7 bilhões.

O Keystone XL, contudo, é duramente criticado por entidades ambientais. A National Wildlife Federation informou que no caminho dos dutos estão várias áreas de conservação e o Aquífero Ogallala, de extrema importância para os estadunidenses.

Além disso, o petróleo será extraído das areias betuminosas, cujo processo de retirada é mais poluente do que o óleo tradicional. A estimativa é que a extração cause um aumento da temperatura da Terra de até 0,4°C.

Já o Pré-sal, bem, o primeiro vazamento na exploração da área demonstra que se deve aprender muito antes de explorar a fundo essa camada por aqui.

(EcoD)

Rio Negro ainda desconhece prejuízos ambientais do vazamento de 30 mil litros de óleo / Foto: chrisparkeruk

Rio Negro ainda desconhece prejuízos ambientais do vazamento de 30 mil litros de óleo / Foto: chrisparkeruk

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