Reservas de energia alternativa no Brasil e nos Estados Unidos podem ser maiores do que as de combustível fóssil

Quando se compara as energias renováveis às fontes fósseis, é muito comum considerar a capacidade e a geração atuais das energias limpas, enquanto que em se tratando dos combustíveis fósseis, o usual é levar em consideração também a possível contribuição para as futuras décadas. De fato, é difícil mensurar e comparar o potencial entre renováveis e fósseis.

Mas pela primeira vez, um novo estudo da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) colocou o potencial de energias fósseis e renováveis em índices de mensuração comparáveis, e chegou a uma descoberta no mínimo curiosa: as reservas renováveis não são apenas consideráveis, mas podem inclusive ultrapassar as fósseis no Brasil e nos Estados Unidos.

Até agora, a indústria, os investidores e os legisladores não tinham uma metodologia amplamente acordada para comparar projetos de energia renovável uns com os outros e com projetos de combustíveis fósseis. Nas indústrias do carvão, petróleo e gás, os recursos e reservas são medidos em termos de volume, e as quantidades são categorizadas de acordo com níveis específicos de segurança.

Já os projetos renováveis são expressos tipicamente em termos de capacidade de produção anual. Segundo a BNEF, isso não diz nada sobre a contribuição de energia que esses projetos podem fazer em sua vida útil. Além disso, essa não tem sido uma abordagem consistente para descrever a maturidade técnica e ecocômica de uma iniciativa de energia renovável e o nível de segurança da geração de energia.

Então, para chegar a uma conclusão, a pesquisa adotou uma abordagem simples para quantificar e categorizar as energias renováveis como ‘projetos comerciais’ e ‘projetos potencialmente comerciais’, baseada em seu estágio de desenvolvimento.

Esse conceito foi aplicado para os setores eólico e de bioenergia dos dois países e o resultado foi convertido de megawatt-hora para barris de petróleo equivalente (boe) para ser comparado às estimativas de reservas de combustíveis fósseis.

Com isso, concluiu-se, por exemplo, que no Brasil o recurso de energia equivalente aos projetos de renováveis existentes chega a cerca de 40% das reservas de petróleo e gás do país em termos de produção esperada de energia.

Isso significa que o potencial de biocombustíveis do Brasil pode fornecer cerca de 28,6 bilhões de barris de petróleo equivalente (bboe), isso porque o país tem o segundo maior setor de biocombustíveis do mundo.

O setor eólico não contribui tanto apesar dos investimentos recentes de companhias como a Suzlon, mas a BNEF prevê que as recentes mudanças na legislação tornarão mais fácil para os investidores construírem projetos de porte maior.

E a análise não fez estimativas do potencial hidrelétrico do país, que atualmente fornece 75% da capacidade de energia da nação e 29% do consumo de energia primária, e nem do potencial solar, o que certamente aumentaria o potencial das renováveis.

Nos EUA, a situação não é muito diferente: o país possui mais reservas de petróleo e gás do que o Brasil, mas mesmo assim o estudo concluiu que o equivalente em recursos de energia dos projetos existentes de bioenergia e energia eólica chegam a quase 15% das reservas de projetos de combustível fóssil.

Neste caso, também não foram analisadas as reservas de projetos solares, geotérmicos e hidrelétricos. Juntos, os dois países apresentam um potencial eólico e de bioenergia de 48 bilhões de boe.

“Companhias de energia tradicional e mercados financeiros tendem a ignorar as reservas inerentes aos projetos eólicos, de biomassa para energia e de biocombustíveis, enquanto levam em conta fortemente as oferecidas pela indústria de extração de hidrocarbonetos. Tem havido pouco foco nessa questão até agora”, observou Guy Turner, diretor de economia da BNEF.

“Entretanto, esse relatório pioneiro mostra que você pode calcular as reservas incorporadas em projetos de energia renovável com a mesma base energética – milhões de barris de petróleo equivalente. Esse trabalho deve dar aos investidores uma nova forma de avaliar o valor do setor”, acrescentou Turner.

O resultado da pesquisa deve ser utilizado para divulgar o conceito de reservas renováveis, visando atrair mais especialistas e organizações para a discussão. No entanto, os autores ressaltaram que mais estudo e trabalho ainda são necessários antes que se adote uma metodologia que contabilize totalmente a viabilidade econômica, técnica e a incerteza de conclusão de projetos.

“Ser capaz de avaliar as reservas de energia renováveis e de combustíveis fósseis em bases comparáveis também permitirá que os governos tenham uma visão mais clara de suas opções quando desenvolverem políticas energéticas. Em nível global, estabelecer uma convenção para estimar reservas e capacidade para fontes de energia renovável também torna mais fácil determinar o cenário para o futuro fornecimento de energia”, concluíram.

Imagem: Reservas de energia brasileiras em termos de bilhões de barris de petróleo equivalente / BNEF

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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