Nigéria culpa mudanças climáticas por aumento de conflitos

O coronel Sambo Dasuki, conselheiro de Segurança Nacional da Nigéria, apontou o impacto do clima na produção de alimentos como o principal fator por trás da crescente onda de insegurança no país nos últimos anos.

Discursando ao Parlamento nigeriano, Dasuki afirmou que o avanço da desertificação, a subida do nível do mar no delta do rio Niger e a diminuição acelerada do lago Chade têm provocado crises econômicas e alimentares que forçam os homens mais jovens a buscarem novas formas de se sustentar.

“Muitos estão deixado suas ocupações como pescadores e fazendeiros e se juntando a grupos criminosos, incluindo o Boko Haram”, explicou.

O Boko Haram é uma organização fundamentalista islâmica que deseja instalar nos estados do norte da Nigéria uma nova nação teocrática. Para isso, seus membros costumam se valer de atos terroristas contra a população civil e órgãos públicos. Em 2012, o grupo teria sido responsável por mais de 700 assassinatos.

O presidente do Comitê sobre Mudanças Climáticas do Parlamento, Eziuche Ubani, reconheceu a ameaça e afirmou que mais de uma vez tentou pressionar o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, a promover medidas de adaptação e mitigação climática.

“Não há dúvidas de que existe uma conexão entre as mudanças climáticas e a atual insegurança em nossa nação”, declarou Ubani.

Em fevereiro, uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas tentou, a pedido das pequenas nações insulares e de muitos países africanos, classificar oficialmente as mudanças climáticas como uma questão de segurança internacional, medida que abriria novos caminhos para financiamentos.

Porém, Rússia e China se negaram a considerar o encontro mais do que um debate informal e justificaram sua posição declarando que estão defendendo os interesses de mais de 100 nações em desenvolvimento.

Segundo russos e chineses, o Conselho de Segurança não opera sob o princípio de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, que rege as negociações climáticas formais da ONU. Assim, as decisões do Conselho poderiam pesar de maneira injusta sobre as nações em desenvolvimento.

Imagem: Segundo a NASA, o lago Chade teria encolhido 95% entre 1963 e 2001. A foto mostra a diferença entre 1972 e 2007 / PNUMA

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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