Nevascas fora de época estão relacionadas com degelo do Ártico, apontam pesquisadores

A Europa e a América do Norte estão enfrentando nevascas que não são comuns para essa época do ano, fazendo com que muitos se perguntem: onde está o aquecimento global?

A resposta já foi dada algumas vezes por diversos centros de pesquisas diferentes, como o Instituto Postdam, que afirmam que o degelo do Ártico é o responsável pelas frentes frias fora de época. Nesta semana novos pesquisadores manifestaram-se favoráveis à essa teoria.

“O degelo está afetando as correntes de ar, que conseguem chegar mais ao sul do que antigamente. O gelo marinho está se perdendo rapidamente e já é 80% menor do que era há 30 anos”, explicou Jennifer Francis, do Insituto Rutgers de Ciência Marinha e Costeira, ao jornal The Guardian.

É a mesma posição de Stephen Vavrus, do Instituto Nacional de Pesquisas Climáticas da Universidade de Wisconsin-Madison. “O derretimento permite que o calor do oceano escape para a atmosfera, alterando padrões de pressão, incluindo correntes de ar gelado que sopram em direção ao sul. Assim, nós recebemos mais frio e neve mesmo com as temperaturas médias anuais sendo mais elevadas do que no passado.”

A teoria ganhou ainda mais força depois que uma nova análise sobre o degelo do Ártico foi apresentada nesta semana pelo Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC).

Segundo o NSIDC, a extensão de gelo marinho no Ártico atingiu seu máximo neste ano no dia 15 de março, cobrindo 15,13 milhões de quilômetros quadrados. Trata-se da sexta menor extensão desde que as medições começaram a serem feitas, há 35 anos. Além disso, as 10 menores extensões já registradas aconteceram nos últimos 10 anos.

A análise ainda aponta que mesmo a região do Polo Norte que costuma estar coberta com gelo mais espesso e de múltiplas camadas apresenta agora predominantemente um gelo muito mais fino. É apenas a segunda vez que isso acontece, a primeira foi em 2008.

“A quantidade do gelo mais espesso simplesmente colapsou. Vemos apenas resquícios dele e, até agora, não temos porque acreditar que ele vai voltar a se formar no futuro”, explicou David Titley, especialista em políticas climáticas no Ártico da marinha norte-americana.

Em 2012, a Unidade de Pesquisas de Potsdam do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Marinha e Polar já afirmava que a então queda das temperaturas na Europa estava ligada ao degelo do Ártico.

De acordo com os cientistas, o grande degelo está resultando em um oceano mais quente e que não consegue evitar que o calor retorne para a atmosfera. Assim, o ar sobre o oceano se aquece, principalmente entre o outono e o inverno, levando a novos padrões atmosféricos.

Uma das consequências desse fenômeno aparece quando a diferença de pressão entre a região continental e o Mar do Norte fica grande o suficiente para gerar ventos úmidos que sopram com força na direção dos países europeus, trazendo grandes nevascas.

(Instituto CarbonoBrasil)

Foto: Henrique Andrade Camargo

Foto: Henrique Andrade Camargo

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