Negociações climáticas avançam, mas a passos lentos

Terminou na sexta-feira (3) a segunda rodada de negociações climáticas de alto nível do ano, um evento preparatório para a Conferência do Clima da Polônia (COP19) em novembro. O resultado da reunião dos representantes de mais de 160 países, realizada em Bonn, na Alemanha, foi considerado positivo pelas Nações Unidas, mas o avanço das negociações ainda está muito aquém do que seria necessário para mitigar as piores consequências das mudanças climáticas.

“Embora os países estejam no caminho para alcançar suas próprias metas, eles não estão conseguindo acompanhar as demandas da ciência”, afirmou Christiana Figueres, presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC).

A opinião é a mesma dos presidentes da Plataforma de Durban para Ação Aprimorada (ADP) – a base do novo tratado climático – Jayant Moreshver Mauskar e Harald Dovland. “Estamos fazendo progresso, mas temos um tempo limitado. Assim, é preciso que aceleremos nossos esforços”, declararam.

O novo acordo climático precisa estar pronto até 2015, para que os países tenham tempo suficiente para aprová-lo internamente até 2020, quando substituirá o Protocolo de Quioto.

Um dos consensos alcançados em Bonn foi a ‘flexibilização’ do novo acordo. A ideia é que o texto possa ser alterado caso haja necessidade, seja por novas condições políticas, econômicas ou científicas. É uma grande diferença com relação ao Protocolo de Quioto, no qual até hoje países como China e Brasil não têm metas de redução de emissões mesmo estando entre as nações que mais liberam gases do efeito estufa.

“O senso comum prevaleceu. O acordo de 2015 não pode ser talhado em pedra, não pode ser congelado no tempo”, afirmou Figueres.

A Climate Action Network (CAN) também aprovou a decisão. “É bem-vindo o novo dinamismo, principalmente em termos de igualdade e justiça. Mas os líderes mundiais não podem esquecer que é preciso garantir que o acordo de 2015 seja robusto o suficiente para salvar o planeta.”

Os representantes em Bonn também concordaram que é necessário que diversos grupos trabalhem em conjunto para lidar com as mudanças climáticas, incluindo organizações internacionais e o setor privado.

Além disso, ficou acordado que existem muitas oportunidades de expandir ações já em andamento de mitigação climática, principalmente para incentivar as energias renováveis e para a distribuição de ajuda financeira para os mais vulneráveis.

Algumas nações mais ricas sugeriram que o novo acordo possua mecanismos, talvez relacionados com o produto interno bruto per capita, que possibilitem que as nações emergentes assumam metas mais rigorosas conforme forem crescendo economicamente.

Os negociadores chineses, no entanto, lembraram que a renda per capita anual no seu país ainda é de apenas US$ 5 mil, enquanto nas nações mais ricas é acima de US$ 40 mil. Assim, atrelar políticas climáticas ao PIB não parece ser justo.

As diferenças entre a China e os Estados Unidos continuam enormes, apesar de em abril os dois países terem firmado uma parceria de cooperação climática.

A China defende que as nações ricas tenham metas de redução de emissões entre 25% a 40% até 2020, com relação ao nível de 1990. Por enquanto, a promessa dos EUA é de apenas 4% de corte.

Diálogos Climáticos

A próxima rodada para discutir o futuro acordo climático será em junho, mas já nesta semana mais um evento será realizado para debater o aquecimento global.

Os Diálogos Climáticos de Petersberg começaram no domingo em Berlim, na Alemanha, reunindo ministros do Meio Ambiente de 35 países.

“Não agir para mitigar as mudanças climáticas será muito custoso para todos nós. Esperar não é uma opção”, declarou Angela Merkel, na abertura do evento.

A chanceler alemã pediu por uma reformulação completa das medidas econômicas destinadas a incentivar as companhias a adotarem práticas mais amigáveis ao clima.

Na semana passada, Merkel já havia declarado que é preciso alterar o funcionamento do Esquema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) para que a ferramenta continue a estimular a busca por tecnologias de baixo carbono.

O encontro em Berlim segue até o dia sete de maio.

(CarbonoBrasil)

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