Mudanças climáticas beneficiam multiplicação de corais moles, prejudicando a vida marinha

Um novo estudo publicado neste domingo (24) no periódico Nature Climate Change revela que as mudanças climáticas podem fazer com que os chamados recifes de corais construtores percam espaço para os recifes de corais moles, o que pode prejudicar milhares de espécies marinhas.

Segundo a pesquisa, isso ocorre porque os aumentos antropogênicos na pressão parcial de CO2 (pCO2) causam acidificação oceânica, diminuindo os índices de saturação do carbonato de cálcio, o que reduz a calcificação dos recifes de corais e causa mudanças nas composições dos organismos marinhos.

O que os cientistas observaram, através da análise de corais da ilha vulcânica de Iwotorishima, no Japão, é que uma das principais mudanças ocorridas devido à acidificação oceânica é a transição de corais construtores (corais duros) para corais moles.

O estudo mostra que a distribuição espacial tanto de corais duros quanto de corais moles em águas vulcânicas acidificadas está relacionada aos níveis de pCO2. Os corais construtores estão restritos a zonas não acidificadas e com baixa pCO2 (225 μatm). Já as maiores populações de corais moles dominam zonas com média pCO2 (831 μatm), e tanto os corais duros quanto os corais moles estão ausentes nas zonas com pCO2 mais alta (1465 μatm).

Esses resultados sugerem que as comunidades de recifes podem mudar de corais construtores para corais moles sob os níveis de pCO2 (550-970 μatm) previstos para até o final desse século, e que níveis mais altos de pCO2 desafiariam a sobrevivência de alguns organismos presentes nos recifes.

“Corais duros são importantes construtores de recifes e fornecem habitats tridimensionais complexos para muitos organismos de recifes”, concluíram os autores da pesquisa.

Eles acrescentaram que a substituição de um tipo de coral pelo outro impactaria diversas espécies que dependem dos corais construtores, como peixes e outras criaturas marinhas, já que uma comunidade de corais moles “dificilmente funciona como os corais duros como um ninho para pequenos organismos vivos como camarões e pequenos peixes”.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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