FMI pede o fim dos US$ 1,9 trilhão em subsídios para os combustíveis fósseis

Segundo o estudo “Reforma nos Subsídios da Energia – Lições e Implicações” (Energy Subsidy Reform – Lessons and Implications), divulgado oficialmente nesta quarta-feira (27) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), os países estão destinando anualmente quase 2,5% do PIB mundial para subsidiar os combustíveis fósseis, dinheiro que a entidade afirma seria mais bem empregado para garantir o crescimento sustentável e medidas de adaptação e mitigação às mudanças climáticas.

“A reforma dos subsídios pode levar a uma alocação mais eficiente dos recursos, os quais podem ajudar o crescimento econômico de longo prazo. Remover os subsídios dos combustíveis fósseis também fortaleceria as iniciativas de pesquisa e desenvolvimento de energias renováveis e alternativas”, declarou David Lipton, primeiro diretor gerente do FMI.

Para Lipton, o novo trabalho mostra que o peso fiscal dos subsídios está ficando tão grande para os orçamentos nacionais que chega a ameaçar a estabilidade econômica. De acordo com o FMI, cerca de 20 países dedicam mais de 5% de seu PIB para os subsídios. “Em alguns casos, mais é gasto em subsídios do que em saúde pública e em educação, minando o desenvolvimento de capital humano.”

De acordo com o FMI, os países que mais ajudam os combustíveis fósseis são: Estados Unidos com US$ 500 bilhões anuais, China com US$ 300 bilhões e Rússia com US$ 115 bilhões.

O estudo argumenta ainda que acabar com os subsídios seria uma grande vitória na luta contra as mudanças climáticas e contra a poluição. Sem a ajuda pública, as emissões de gases do efeito estufa poderiam cair até 13%.

Claro que o FMI reconhece que os preços dos combustíveis e da energia aumentariam se os subsídios deixassem de existir, mas argumenta que os US$ 1,9 trilhão gastos anualmente poderiam ser direcionados para ações de alívio à pobreza de forma muito mais direta e eficiente.

“Além disso, os subsídios são benéficos principalmente para a camada mais rica da população, que são os maiores consumidores de energia. Na média, as 20% mais ricas residências em países com renda intermediária são beneficiadas por 43% dos subsídios”, explicou Lipton.

Leia a apresentação de Lipton sobre o novo estudo.

(Instituto CarbonoBrasil)

FMI pede o fim dos US$ 1,9 trilhão em subsídios para os combustíveis fósseis

FMI pede o fim dos US$ 1,9 trilhão em subsídios para os combustíveis fósseis

Print Friendly, PDF & Email