Erupção traz más noticias para geoengenharia baseada na fertilização por ferro

Os esquemas de geoengenharia que visam diminuir o ritmo do aquecimento global ao ‘semear’ os oceanos com ferro e incentivar a absorção de dióxido de carbono pelo fitoplâncton podem não levar a um sequestro desse gás em longo prazo, conclui um novo estudo publicado no periódico Geophysical Research Letters.

A pesquisa avaliou o impacto da erupção de 2010 do vulcão Eyjafjallajökull, que lançou grandes quantidades de ferro no Oceano Atlântico norte perto da Islândia.  Alguns pesquisadores especulam que a fertilização por ferro levaria a uma explosão populacional de plâncton que absorveria grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera, ajudando no combate às mudanças climáticas.

Entretanto, o novo estudo diz o contrário. Os pesquisadores descobriram que o efeito de fertilização do ferro rapidamente se dissipa devido ao rápido esgotamento do nitrato nas camadas mais superficiais do oceano, privando o fitoplâncton do nitrogênio, um nutriente crítico para o seu crescimento.

“A remoção adicional de carbono pelo fitoplâncton estimulada pelas cinzas foi, portanto, 15% a 20% maior do que em outros anos, perfazendo uma mudança significativa, porém breve, na biogeoquímica da Bacia da Islândia”, comentou o principal autor do estudo, Eric Achterberg, do Centro Nacional Oceanográfico do Reino Unido.

Os resultados são consistentes com outra pesquisa. Um estudo de 2009 publicado na Nature revelou que a absorção de carbono após a fertilização por ferro era 80 vezes menor do que o indicado por pesquisas anteriores. Este estudo também envolveu o Centro Nacional Oceanográfico.

“Você pode ter uma resposta diferente se abalar o sistema ao jogar muito ferro ao mesmo tempo”, disse Raymond Pollard, do Centro Nacional Oceanográfico, à Nature News na época. “O efeito ainda será muito menor do que alguns geoengenheiros gostariam”.

“A fertilização dos oceanos por ferro simplesmente não deve mais ser considerada como uma opção viável para a mitigação do problema do dióxido de carbono”, enfatizou Hein de Baar, oceanógrafo do Instituto Real dos Países Baixos para Pesquisas Marinhas, em reportagem da Nature News.

Em 2008, a Planktos, uma empresa privada que buscava a venda de créditos de carbono provenientes da fertilização dos oceanos, perdeu muitos investimentos quando dúvidas vieram à tona quanto aos impactos ambientais. O co-fundador da empresa realizou um experimento de fertilização por ferro em 2012 apesar de fortes objeções de ambientalistas.

Referências: Eric P. Achterberg at al. Natural iron fertilization by the Eyjafjallajökull volcanic eruption. GEOPHYSICAL RESEARCH LETTERS. Artigo publicado em 14 de março de 2013, DOI: 10.1002/grl.50221

Leia o texto original no Mongabay (em inglês)
Traduzido por Fernanda B. Muller, Instituto CarbonoBrasil

Imagem: Erupção de 2010 do vulcão Eyjafjallajökull / Wikimedia commons

Fonte: Carbono Brasil

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