Crescimento sustentável requer investimentos em políticas de proteção social

O progresso econômico da região da Ásia e do Pacífico tem sido marcado pelo aprofundamento das desigualdades de renda e esgotamento dos recursos naturais. O Relatório Econômico e Social da Ásia e do Pacífico 2013: Perspectivas de políticas macroeconômicas para o desenvolvimento inclusivo e sustentável chama atenção para a necessidade de correções nas políticas macroeconômicas para a área.

O relatório 2013 foi apresentado na quinta-feira, 18 de abril, durante o seminário Ásia e o Brasil: Perspectivas para o Crescimento Inclusivo, em Brasília. O evento foi organizado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O documento argumenta que, em meio à situação de incerteza mundial, é fundamental buscar um crescimento que leve em conta políticas redistributivas e a preservação do meio ambiente. É estimado que a incerteza política na zona do euro e nos Estados Unidos desde o início da crise mundial pode ter reduzido o PIB regional em 3% — uma perda de 870 bilhões de dólares.

“Enquanto a região da Ásia-Pacífico tem resistido à crise financeira melhor do que em muitas outras partes do mundo, há uma necessidade urgente de adaptar as políticas macroeconômicas para enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável e ajudar os mais pobres e mais vulneráveis”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

As recomendações desta edição do relatório procuram ajudar esses países a avançar economicamente, socialmente e ambientalmente, alegando que tais medidas podem orientar a região em direção a um caminho de crescimento mais inclusivo e sustentável.

“Esses esforços podem ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Um maior progresso vai alimentar a confiança e mobilizar apoio para uma agenda de desenvolvimento ambiciosa pós-2015″, acrescentou Jorge Chediek, representante do Pnud no Brasil.

Tendências

O relatório adverte que “um crescimento muito menor em comparação aos últimos anos poderia se tornar um novo padrão para várias economias na região se as tendências econômicas permanecerem”. O que poderia causar uma perda no produto estimada em aproximadamente 1,3 trilhão de dólares até final de 2017.

Problemas estruturais de longo prazo, como a crescente desigualdade e a escassez de energia e infraestrutura estão contribuindo para a desaceleração regional. O documento aponta que uma “solução estrutural para impulsionar o crescimento interno pode viabilizar o processo do desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”.

O investimento em proteção social poderá ser autofinanciado por alguns países caso eles invistam entre 5 e 8% do PIB, embora países menos desenvolvidos e geograficamente desfavorecidos, além de pequenos estados insulares em desenvolvimento, terão que contar com apoio externo. Estes investimentos não trazem risco para a estabilidade macroeconômica.

Leia o relatório na íntegra, em inglês (PDF)

(EcoD)

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