Conselheiros norte-americanos defendem taxa sobre o carbono

Congressional Budget Office (CBO) – em uma tradução livre, Escritório de Orçamento do Congresso – foi criado para avaliar as consequências econômicas de possíveis decisões do Congresso dos Estados Unidos. Não sendo ligada a nenhum partido e contando com especialistas renomados, a opinião da entidade costuma receber bastante atenção. O CBO foi, por exemplo, ouvido diversas vezes sobre a questão da reforma do sistema de saúde proposta pela administração Obama.

Nesta semana, a entidade divulgou seu mais recente relatório, “Effects of a Carbon Tax on the Economy and the Environment” (Efeitos de uma Taxa de Carbono sobre a Economia e o Meio Ambiente), que faz uma grande defesa sobre a necessidade de implementar uma taxa de carbono o quanto antes nos EUA.

“Atrasos aumentariam os prejuízos com as mudanças climáticas ao permitir o crescimento dos riscos com consequências até catastróficas”, afirma o documento.

Segundo o CBO, uma taxa de US$ 20 sobre a tonelada emitida de dióxido de carbono, com esse valor subindo 5,6% ao ano, arrecadaria para o governo US$ 1,2 trilhão na próxima década. A medida ainda reduziria as emissões do país em 8%.

O relatório reconhece que haveria impactos na economia e nos preços dos produtos, mas aponta que os recursos levantados poderiam ser utilizados para minimizar essas consequências. Além disso, argumenta que a taxa forçaria uma mudança de consciência na sociedade norte-americana.

“O aumento de custos incentivaria as companhias a buscarem métodos de produção que resultem em menos emissões [...] Os consumidores também seriam encorajados a procurar mercadorias que sejam menos intensas em carbono simplesmente por serem mais baratas”, explica o CBO.

Para a entidade, a eficácia da medida dependeria de como os recursos levantados seriam investidos. O relatório sugere, por exemplo, que o governo tire proveito da nova renda para revogar outros impostos, principalmente aqueles que afetam o investimento e a geração de emprego. O fim de alguns impostos serviria também para evitar a fuga de companhias norte-americanas para outros países.

Em 2010, o Congresso vetou, com bastante folga, a proposta que pretendia estabelecer a taxa de carbono nos EUA, o que fez a administração Obama esquecer a medida.

Porém, com a China anunciando que deve estabelecer seu mercado de carbono já em 2016, o governo norte-americano está pressionado a apresentar novas ações climáticas. Por isso, o relatório do CBO, que foi produzido a pedido do democrata Henry Waxman, em nome do Comitê de Energia e Comércio, surge num momento bastante propício.

(Instituto CarbonoBrasil)

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