Comércio de emissões continuará a ser implementado em outros países mesmo com crise na Europa

Diante da situação complicada em que se encontra a principal ferramenta para o controle de emissões de gases do efeito estufa na União Europeia, países que estão implementando sistemas similares poderiam ser levados a desistir de suas iniciativas. Porém, todas as declarações feitas nessa semana apontam que os trabalhos continuarão para o estabelecimento de novos mercados de carbono.

O ministro de mudanças Climáticas da Austrália, Greg Combet, comentou nesta semana que o país continuará com os planos de conexão do seu esquema de comércio de emissões – que entra em vigor em 2015 – com o europeu (EU ETS).

Porém, ele colocou que haverá uma revisão da previsão que vinha sendo divulgada – A$ 29/t (€ 22,8) – sobre o valor do carbono entre 2015-2016 no orçamento deste ano. O primeiro leilão de permissões de emissão na Austrália está previsto para o início de 2014 e devido à crise no mercado europeu, provavelmente o preço do carbono neste esquema também será afetado.

“Com as chances da atual proposta de adiamento dos leilões agora despedaçadas, a Austrália provavelmente terá um preço muito baixo para o carbono quando fizermos a transição para um preço flexível”, comentou Hugh Bromley, analista da Bloomberg New Energy Finance.

Outros países também devem sofrer consequências da crise no EU ETS. Coreia do Sul, Califórnia, China, Brasil e Nova Zelândia estão entre as nações que têm planos ou já estão implantando seus sistemas de comércio de emissões.

Porém, Austrália e Nova Zelândia têm conexões diretas com o EU ETS, diferentemente dos outros. O mercado da Nova Zelândia já vem se mostrando fortemente abatido devido à sua conexão com o EU ETS há alguns anos. As unidades locais, chamadas NZUs, estão cotadas em torno de NZ$2/t (€1,29).

Oficiais chineses já se manifestaram dizendo que seus planos também não mudarão, e que até o final do ano duas cidades terão seus esquemas de comércio de emissões operacionalizados. O país deve seguir o exemplo da Califórnia, e estabelecer valores para o piso e o teto das permissões de emissão.

“O EU ETS pode muito bem ser um exemplo do que não fazer”, comentou Jeff Swartz, da Associação Internacional de Comércio de Emissões, ao jornal The Economist.

O mercado californiano parece não ter sido muito afetado pelas notícias vindas da Europa. Segundo a Reuters Point Carbon, as permissões de emissão (CCAs) para dezembro continuavam cotadas em torno de US$ 14,50 (€ 11,09) na quinta-feira (18).

Mary Nichols, chefe do California Air Resources Board, que administra o esquema, se mostrou confiante de que ali será diferente do que na União Europeia, segundo o jornal High Country News. Um dos motivos, além do controle do preço do carbono, seria que o estado já vem monitorando as emissões desde 2008, portanto, ao contrário da UE, sabe bem onde estava pisando.

A oposição a esse tipo de ferramenta no controle das emissões é grande, especialmente do setor industrial, que teme aumento de custos. Então, uma coisa é certa, um bom planejamento desde o início pode evitar controvérsias da envergadura do que vem ocorrendo na UE e, espera-se que os novos sistemas aprendam com os erros do passado e cumpram seus objetivos iniciais de corte de emissões de forma ambientalmente íntegra.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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