Brasil já teria cumprido 62% de sua meta de redução de emissões

Em um tom de grande otimismo contestado por ONGs, o governo federal apresentou nesta quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, dados oficiais que, apesar de reconhecerem o desmatamento de 4.571 quilômetros quadrados na Amazônia em 2012, salientam uma queda de 84% em relação a 2004.

“Estamos mostrando que é possível crescer e preservar, que é possível crescer e distribuir renda. Eu acredito que um dado tem de estar claro na cabeça de todo brasileiro: a força do Brasil está num determinado modelo de desenvolvimento, que combina meio ambiente com redução da desigualdade e com crescimento, competitividade e inovação”, afirmou a presidente Dilma Rousseff.

O governo brasileiro tem como meta voluntária reduzir a expansão anual da área de desmatamento ilegal da Amazônia para 3,9 mil quilômetros quadrados em até sete anos. De acordo com os dados de hoje, 76% desse objetivo já teria sido alcançado.

Os números para as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) também foram destacados como altamente positivos, com o país já tendo atingido 62% da sua meta de redução. O governo garante que até 2020 será alcançado o objetivo de cortar entre 36,1% a 38,9% da liberação de GEEs em relação aos níveis de 1990.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, declarou que entre 2005 e 2010 houve redução de 38,7% de CO2 equivalente nas áreas de energia, indústria, agropecuária e resíduos.

Porém, a presidente deixou claro que, se for preciso, a matriz energética brasileira terá que se “sujar”. “Vamos continuar a cumprir esse desafio [a meta], mas temos de enfrentar o fato de que, se continuarmos a fazer hidrelétricas a fio d’água e se continuarmos a ter toda a arquitetura de energia renovável como temos, haverá uma necessidade das térmicas na nossa matriz.”

Dilma também ressaltou a importância do Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) que, no Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014 lançado ontem (4), destinou R$ 4,5 bilhões para práticas como plantio direto, alternância de culturas e integração lavoura-pecuária-floresta.

“É um crédito de boa qualidade, barato e com prazo maior. O uso dessas técnicas, mais adequadas ao meio ambiente, é extremamente eficiente e o produtor ganha porque produz mais, com melhor qualidade e menor custo”, disse.

Através de sua conta oficial no Twitter, o Greenpeace lembrou que a redução do desmatamento, 84%, só parece tão grande porque 2004 foi o ano com a segunda maior devastação da história, com 27 mil quilômetros quadrados de devastação.

A ONG também questionou a afirmação da presidente de que o Código Florestal brasileiro é um dos mais avançados do planeta. “A presidente esquece dos retrocessos, da anistia e da alta do desmatamento[depois da aprovação da nova legislação]” .

“Até alguns anos atrás, o Planalto usava o Dia Mundial do Meio Ambiente para dar boas notícias concretas, como demarcação de novas unidades de conservação e políticas de apoio a terras indígenas e ao desenvolvimento sustentável. Mas o que vimos hoje foi o governo agindo fora do contexto real do campo, como se estivesse num mundo de Alice, do outro lado do espelho, em que a realidade é distorcida”, afirma Renata Camargo, assessora política do Greenpeace. “Os brasileiros esperam e merecem mais. É possível acabar com o desmatamento, controlar a emissão de gases-estufa, acabar com a violência e o trabalho escravo no campo e crescer com respeito ao ambiente.”

Os dados do governo também perderam muito de sua força depois de o SOS Mata Atlântica ter divulgado na terça-feira (4) que a taxa anual de desmatamento na Mata Atlântica é a maior desde 2008 e que restam apenas 7% da área original da floresta.

(Instituto CarbonoBrasil)

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