Vida selvagem é bem nacional no Quênia

A vida selvagem é considerada um bem nacional no Quênia, como estabelece a Constituição Nacional deste país da África. Por isso, a conservação e a proteção da natureza e o estabelecimento de regras de boa convivência com as populações locais têm merecido atenção das autoridades quenianas.

Quem está à frente dessas ações de proteção é o Kenya Wildlife Service (KWS – Serviço de Proteção à Vida Selvagem). “O KWS é responsável pelo gerenciamento das áreas protegidas que abrangem 8% da superfície terrestre do Quênia”, informa Munira Bashir, diretora assistente e chefe da comunidade empresarial do KWS, que participará do VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC). O evento, promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, será realizado de 23 a 27 de setembro, em Natal, no Rio Grande do Norte. Munira será uma das palestrantes do Congresso e abordará o tema “Benefícios sociais da conservação da natureza”.

Confira a seguir a entrevista, concedida por Munira Bashir especialmente para Plurale.

Como é a estrutura e a gestão de conservação das áreas protegidas no Quênia?

Munira Bashir – O Kenya Wildlife Service, que é uma empresa estatal estabelecida por uma Lei do Parlamento, é encarregado de conservar e manejar a vida selvagem no país, e fazer cumprir as leis e regulamentos relacionados a esse assunto. O KWS gerencia 8% da superfície terrestre no Quênia. Isto engloba 22 parques nacionais, 28 reservas nacionais e cinco santuários nacionais. Também estão sob sua gestão quatro parques nacionais marinhos e seis reservas nacionais marinhas. Além disso, há 125 estações de campo espalhadas pelo país que contribuem para a conservação da natureza em locais que estão fora do sistema de áreas protegidas.

Quais as principais estratégias que o KWS desenvolve para engajar na conservação da vida selvagem as comunidades que vivem no entorno das áreas protegidas?

Munira – A estrutura organizacional do KWS é dividida em quatro departamentos cujos focos de atuação são capacitação, sensibilização das comunidades sobre a importância da conservação, proteção das pessoas e de suas propriedades dos impactos causados pelos animais selvagens, e fornecimento de uma estrutura que possibilite o envolvimento da comunidade em negócios ligados à vida selvagem.

O engajamento comunitário do KWS tem como slogan “Reaching Out to Communities” (estendendo a mão para as comunidades). Isto é promovido por meio do programa de responsabilidade social corporativa, da mitigação de conflitos entre pessoas e a natureza, de ações educacionais e de extensão, e de linhas de financiamento destinadas a empreendimentos ligados à natureza que visem a melhorar a vida das pessoas. Esses programas têm como alvo as comunidades que residem dentro das áreas de dispersão dos animais selvagens.

Existe algum programa com foco em conservação para as populações que vivem nas áreas protegidas?

Munira – O KWS tem um departamento de Educação em Conservação e de Serviços de Extensão, cujo único objetivo é impactar o público e as comunidades que vivem no entorno das áreas protegidas com ações de educação para a conservação da natureza. Os programas de educação incluem ações de conscientização, desenvolvimento e produção de conteúdo para programas específicos para a área, defesa da inclusão da matéria de Educação para Conservação nos currículos escolares, treinamentos e capacitações, programas de mídia, dentre outros.

Quais os projetos que o KWS tem desenvolvido desde a sua fundação e quais os resultados alcançados?

Munira – Desde a sua criação, o KWS desenvolveu vários programas direcionados para o engajamento da comunidade. Os recursos de vida selvagem no Quênia possuem diversos usos importantes que analisamos enquanto país, de forma que as comunidades que possuem vida selvagem em suas terras valorizem a conservação de suas áreas naturais e as manejem como um bem nacional. É um patrimônio nacional, que contribui para a economia nacional; por exemplo, os parques nacionais são importantes fontes de matéria-prima para produtos medicinais e oportunidades de prospecção nesta área biológica. O engajamento da comunidade por meio das estratégias citadas anteriormente, mudou positivamente a percepção dos cidadãos do Quênia em relação à conservação. Uma maior porcentagem da população agora percebe a vida selvagem como um ativo econômico para o país, que precisa ser protegido e conservado.

Como exatamente o KWS envolve a comunidade nessas ações de conservação? Quais os benefícios sociais que as áreas protegidas oferecem às comunidades?

Munira – O KWS possui escritórios em todo o país onde há vida selvagem. Uma das funções dos funcionários que trabalham nessas estações é envolver continuamente as comunidades de sua área de jurisdição, mostrando a elas a importância da vida selvagem e como elas podem se engajar em empreendimentos sustentáveis ligados à natureza para melhorar seus meios de subsistência. As comunidades têm a opção de destinar suas terras improdutivas para atividades de conservação. O KWS busca, então, incentivar as pessoas a se capacitarem para isso e oferece a elas capital inicial para o estabelecimento desses empreendimentos, que também geram benefícios para essas comunidades. Até agora, o KWS conseguiu com que pessoas e comunidades transformassem mais de um milhão de hectares de terras em áreas de conservação, além das que já são conservadas pelo sistema de áreas protegidas do governo.

Fonte: Plurale

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