Usina hidrelétrica chinesa Três Gargantas é concluída

Depois de quase vinte anos desde o início de sua construção, a usina hidrelétrica chinesa Três Gargantas está finalmente concluída. Nesta quarta-feira (4), a última turbina da barragem foi conectada à rede de energia, encerrando um processo que deslocou mais de um milhão de pessoas da área e causou diversos impactos socioambientais.

“A operação completa de todos os geradores faz da Três Gargantas o maior projeto de energia hidrelétrica do mundo, e a maior base para energia limpa”, comentou Zhang Cheng, gerente geral da operadora do complexo, a China Yangtze Power.

A última turbina conectada à rede, a 32ª do projeto, começou a ser instalada em janeiro de 2011, e gerará 700 megawatts (MW) do total de 22,5 gigawatts (GW) produzidos pela usina, ou 11% da capacidade hidrelétrica total do país.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, a represa já gerou um total de 564,8 bilhões de quilowatts-hora, economizando 200 milhões de toneladas de carvão por ano.

“O projeto não apenas aliviou a escassez de energia e estimulou o desenvolvimento econômico do país, mas também teve um papel significativo em desenvolver energia limpa e cortar as emissões de gases do efeito estufa”, observou Li Pingshi, diretor da usina.

Mas o que o entusiasmo do governo chinês não mostra é que a construção da barragem, que começou em 1994, já causou diversas consequências socioambientais, como ter deslocado pelo menos 1,3 milhão de pessoas da região do vale do rio Yangtze, onde o complexo foi construído.

Ambientalistas censuraram o projeto por prejudicar os ecossistemas locais, como, por exemplo, inundar uma reserva natural criada para proteger mais de 40 espécies de peixes de rio ou causar o desaparecimento de 1,3 mil lagos e muitos pântanos.

O ambientalista Ma Jun apontou também que as severas secas ocorridas recentemente no sul da China, que atingiram entre 34 e 35 milhões de pessoas, poderiam ter ligação com a construção do complexo.

“Os grandes lagos conectados ao rio Yangtze recebiam suas águas durante a estação chuvosa, e alimentavam o rio com água durante a estação seca, mas agora as coisas mudaram com a barragem. Com menos fluxo de água do Yangtze para os lagos, estes perderão água ao longo do tempo.”

A poluição do rio também é um problema criado pelo projeto. Segundo a China Yangtze River Three Gorges Project Development corp., com a construção da usina, a quantidade de lixo acumulada no trecho anterior à represa chega a 200 mil metros cúbicos por ano. A barragem também fez com que 86 indústrias químicas se fixassem na região, aumentando o risco de contaminação das reservas hídricas.

perda cultural causada pelo complexo também foi grande: de acordo com a ONG Amigos da Terra, 13 cidades e 4,5 mil aldeias foram inundadas, e 162 áreas que continham antigas relíquias e sítios arqueológicos foram cobertas pela elevação do nível das águas causada pelo reservatório da represa, que tem 185 metros de altura e 600 quilômetros de extensão.

Além disso, a usina custou US$ 40 bilhões, quatro vezes o valor estimado originalmente, afora os cerca de US$ 20 bilhões gastos em “trabalhos preparatórios e de acompanhamento”.

Muitos especialistas também criticaram a barragem por alterar perigosamente a geologia do local. O governo chinês admitiu ainda que a obra aumentou o risco de terremotos e deslizamentos de terra na área.

Apesar disso, a China se comprometeu a gerar outros 140 GW de capacidade hidrelétrica entre 2011 e 2015, visando atingir suas metas de energia renovável.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

Imagem: Usina hidrelétrica chinesa Três Gargantas / Wikimedia commons

Imagem: Usina hidrelétrica chinesa Três Gargantas / Wikimedia commons

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