Último reator nuclear ativo no Japão deve ser paralizado em maio

Na última segunda-feira (26), o reator número seis do complexo nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, no Japão, foi fechado, tornando-se o penúltimo a ser desligado no país. O único que ainda permanece em funcionamento, na ilha de Hokkaido, deve ser paralizado em maio, tornando o Japão um país livre de energia atômica.

Com a desativação dos 54 reatores nucleares do país em menos de dois meses, especula-se que a nação possa sofrer com escassez de energia e blecautes. No entanto, Toshio Nishizawa, presidente da Tokyo Electric Power Co. (Tepco), que é responsável por parte do fornecimento de energia do país, afirmou que é improvável que ocorram eventos de falta de energia.

“Provavelmente poderemos fornecer um suprimento estável de eletricidade no momento, mas gostaríamos de pedir aos consumidores para continuarem economizando energia. Estamos atualmente estudando de perto a situação do fornecimento de energia no verão [julho-setembro]. Faremos nosso melhor para operar de uma forma estável e para manter nossas instalações”, comentou Nishizawa.

A cada 13 meses, os reatores atômicos japoneses são desligados para que se façam avaliações e possíveis reparos. Mas após o acidente ocorrido na usina de Fukushima, em março do ano passado, nem os reatores fechados para inspeção nem os que já haviam sido encerrados antes do desastre foram reativados.

Porém, na última semana, a agência que monitora a energia nuclear do país fez progressos para reabrir as usinas, o que gerou protestos públicos em Tóquio. Os manifestantes acusam a agência de ser irresponsável quanto à classificação de segurança das usinas e de emitir um relatório sem discussão e investigação suficiente em relação à segurança dos reatores. Por enquanto, ainda não há previsão de quando os reatores serão reiniciados.

De fato, alguns dos opositores da energia nuclear afirmam que não há pressa nem necessidade para religar as usinas, já que o país está conseguindo administrar a demanda energética com outras fontes de energia.

Para eles, nem mesmo o argumento da redução das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) é válido, já que alguns relatórios recentes mostraram que o aumento nas emissões do Japão depois do fechamento das usinas foi muito pequeno (alguns apontam para uma redução; outros, para um aumento de 2%), ainda mais considerando que cerca de um terço da energia do país era gerada por fontes nucleares.

“O Japão está praticamente livre de nuclear, e o impacto na vida diária é invisível. Com a gestão apropriada da demanda, medidas de eficiência energética e uma geração de apoio mais do que suficiente, não há desculpa para escassez nos próximos meses, e absolutamente nenhuma necessidade de apressar o reinício das usinas nucleares”, concluiu Junichi Sato, diretor executivo do Greenpeace Japão.

Autor: Jéssica Lipinski   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Greenpeace

Encerramento da penúltima instalação, em Kashiwazaki-Kariwa, ocorreu na última segunda-feira (26); testes para reabertura de usinas estão em andamento, mas enfrentam rejeição pública e não há previsão para reativação dos reatores

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